O Pinhão é vila há 16 anos. Mas o que mudou e o que realmente poderá acontecer daqui para a frente.
Faz hoje precisamente 16 anos que vários carros buzinando atravessaram as ruas do Pinhão anunciando a decisão da Assembleia da República em elevar a então aldeia do Pinhão a vila. Na altura foi a evolução natural dado o próspero desenvolvimento do Pinhão. Não havia ainda turismo com subterfúgio para justificar investimentos e o Pinhão era quase desconhecido no panorama nacional. Crescia e desenvolvia-se sozinho. Tinha conquistado uma EB 2,3, tinha um posto de GNR com dezenas de efectivos, tinha um centro de distribuição dos CTT que representava a plataforma de distribuição para a região, tinha cerca de 20 comboios diários em cada sentido, tinha ligações rodoviárias frequentes com diversas localidades, a economia estava estimulada o suficiente.
O Pinhão estava no bom caminho e apesar de não possuir exactamente todas as características necessárias para a designação de vila, o Pinhão conseguiu porque seria natural que mais tarde ou mais cedo todas as estruturas ainda em falta aparecessem.
Volvidos 16 anos é com mágoa que constato que o título de vila há muito que não deveria ser aplicado. Não estou contra ele, estou orgulhoso de ter nascido na vila do Pinhão, mas a verdade é que nenhum dos cenários na altura estabelecidos se concretizou.
Tenho assistido nos últimos dias num perfilar de comentários mais ou menos anónimos que atentam contra o Pinhão. Tem sido insinuada uma conspiração de Alijó contra o Pinhão. Dezasseis anos depois não posso sentir-me contente com a situação, pelo contrário, é com mágoa que olho a vila sempre que dobro as Bateiras seja de carro, seja de comboio.
É com mágoa porque vejo os pinhoenses a atirar a toalha ao chão fazendo uso de uma pseudo conspiração Alijoense contra nós. É antiga a inveja da sede de concelho por não ter comboio, ou rio, ou vinhas, ou pontes e apenas o tal homem do Douro plantado numa rotunda. Mas isso não é desculpa, os pinhoenses não devem encarar essa pseudo conspiração como o argumento para a resignação.
O Pinhão teve e ainda tem condições para se superiorizar a qualquer localidade da região, exceptuando evidentemente as cidades como Régua, Vila Real ou Lamego por razoes óbvias. O Pinhão tem hoje uma riqueza que quando foi vila não tinha (e nem precisou… mas hoje precisa) que é o turismo. Com o turismo o Pinhão pode aumentar exponencialmente os seus negócios, pode estimular decisivamente a sua economia e pode tornar-se o ponto de distribuição para toda a região. O Pinhão não precisa de Alijó porque tem potencialidades próprias e capazes de gerar a sua riqueza. É com estranheza que, perante este cenário, assisto a uma passividade total da Junta de Freguesia. Passo hoje, infelizmente, grande parte do meu tempo numa freguesia do concelho de Sintra, onde a junta de freguesia local tem uma dinâmica quase independente da sede de concelho. O Pinhão tem nome, tem força, tem gente com vontade, tem tudo para crescer sem estar constantemente à espera que venha os avais de Alijó. Evidentemente não podemos esquecer e devemos respeitar a relação administrativa, mas mais nada que isso.
Hoje em dia o Pinhão está doente e ligado a uma máquina que se chama Alijó que bombeia o ar estritamente suficiente. Mas a verdade é que temos autonomia.
Vou dar um exemplo claro. O presidente da Junta de Freguesia do Pinhão tem na sua posse, desde há cerca de ano e meio, um documento que apresenta soluções de financiamento, que excluem quase na totalidade as verbas públicas, para a realização de uma feira de vinhos (como a que ele anunciou que vai acontecer em 2008). Disse sempre, o presidente da Junta, que a junta não tem o dever de promover cultura e apenas apoiar. A verdade é que a junta de freguesia do Pinhão ignorou esse e outros projectos (mais ou menos auto-sustentáveis) enquanto espera financiamento da Câmara. Se é a vez dos privados porque é que quando aparecem entidades privadas, elas ficam nas gavetas.
Por outro lado é verdade que qualquer projecto minimamente interessante e ousado, no Pinhão, cai por terra antes de começar. Ainda há muita gente, prejudicial à terra, que com os seus interesses impede projectos que poderiam catapultar a terra para o futuro e torná-la verdadeiramente uma vila com força a todos os níveis. Há pessoas dispostas a suar a camisola mas também há outras que desistem logo na primeira contrariedade, para não falar das que faltam à sua palavra.
Somos poucos e poderíamos ser bons, se fossemos unidos. O futuro é vosso, é nosso e é meu e de cada um de nós, cabe-nos decidir como o vamos traçar.
Luís Manuel Madureira de Almeida
Msc Engenharia Civil
Instituto Superior Técnico 2007
publicado por Luís Almeida às 11:36