Terminaram da melhor formas as festas de Nossa Senhora da Conceição, no Pinhão, com um espectáculo pirotécnico digno da vila e dos seus habitantes.

Mas o ponto alto das festividades foi mesmo a homilia proferida pelo Pe. José Carlos na celebração eucarística de honra à padroeira. De forma bastante pertinente e adequando os ensinamentos bíblicos aos tempos modernos, o Pe. José Carlos Fernandes chamou a atenção para a crise de valores comum à sociedade portuguesa mas particularmente visíveis na vila do Pinhão. O incentivo aos jovens na criação de uma pirâmide de ideais e a sua motivação para a luta por estes foram algumas das sugestões deixadas. Não esquecendo o Pinhão, o Pe. José Carlos, subtilmente tocou as questões problemáticas da vila em diversos aspectos. Chamou inclusivamente a atenção dos jovens para a vila e para a região defendendo que esse seria um ideal adequado para seguir.
Dotada de um cartaz cultural menos forte que em outros anos, a meu ver pela ineficácia do agenciamento musical, e não por culpa da comissão, a quem tenho que deixar o meu reconhecimento e agradecimento pelo esforço; terá sido o espectáculo pirotécnico o momento mais relevante da programação cultural. A tradicional cachoeira, recentemente “copiada” na ponte sobre o Tejo, e que no Pinhão acontece desde 1993 e a simbiose com o rio Douro tornaram este espectáculo digno de outros mais grandiosos.
Voltando ao cartaz religioso, inexplicavelmente ao longo de todos estes anos, remetido a apenas um dia – note-se que a festa é religiosa – o incidente da celebração eucarística no timming do lançamento da salva de morteiros e alguns problemas logísticos na procissão não terão passado despercebidos. Facto bastante positivo e na linha da mensagem deixada durante a manhã pelo Pe. José Carlos foi o do andor da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, ter sido transportado por jovens da vila. Que esse acto seja simbólico mas sintoma igualmente de alguma mudança que se perspective. A eles, também, uma palavras de reconhecimento pelo esforço e prontidão.
A festa decorreu com a normalidade pretendida depois dos tempos conturbados que a antecederam. O tempo é agora de não cometer os erros do passado e pensar desde já na edição de 2008 devendo os elementos nomeados indicar de forma clara e tão breve quanto possível a sua real disponibilidade para que não ocorram mais surpresas.
É igualmente importante analisar o que se passou este ano em termos de afluência. Muita gente terá passado pelo Pinhão mas não tanta como outrora. É necessário perceber porquê e tomar medidas nesse sentido. Creio, na minha humilde opinião – que vale o que vale – que se deve à tal falta de evolução de formato que já falei na semana passada. O que eu escrevi pode não estar correcto mas é necessário fazer alguma coisa definitivamente até porque os planos para a Avenida Marginal do Pinhão podem mesmo extinguir o espaço reservado à realização dos festejos. As coisas correram bem mas há certamente assuntos a pensar para que corram ainda melhor: afinal é esse o desejo de todos. E no topo da lista parece-me bem colocar o agenciamento das bandas e artistas que não deverá ser delegado nas mãos de uma só pessoa. O Pinhão tem perdido com essa opção ficando assim sujeito a tendências de mercado que em nada beneficiam as festividades. Nem todos os anos, as mesmas pessoas, são capazes de fornecer o agenciamento de qualidade que se pretende. E nesse particular é necessário abrir horizontes e opções não permitindo monopólios os concessões exclusivas. A par do fogo de artificio, o cartaz musical, tem grande peso nas contas e é por isso importante haver vários agentes e negociar vários preços e condições e não apenas um, a menos que esse seja fenomenalmente vantajoso. E, no caso do Pinhão, já todos percebemos que não é.
Mais uma vez deixo os meus sinceros Parabéns e reconhecimento à comissão de 2007 e aos jovens que transportaram o andor de Nossa Senhora da Conceição.
Ate para a semana
 
Luís Manuel Madureira de Almeida
Msc Engenharia Civil
Instituto Superior Técnico – Universidade Técnica de Lisboa (ainda!)

NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA: Análise à entrevista do Dr. Artur Cascarejo ao Notícias de Vila Real

 

publicado por Luís Almeida às 12:29