Vinha esta semana falar da entrevista do Dr. Cascarejo ao Notícias de Vila Real (NVR) mas ao invés abordarei uma série de outros assuntos transversais a esta entrevista e que a edição do JN de hoje resolveu chamar à atenção. Espero não pôr os cabelos em pé com tanta informação passível de análise.
 
A entrevista ao NVR (ver excertos da entrevista)
Por ocasião da REVIDOURO o NVR entrevistou o Dr. Artur Cascarejo, actual presidente da Câmara Municipal de Alijó. A Revidouro é hoje a feira que é, embora ainda falte muito para ser a feira de distinção do Douro tanto em termos logísticos como organizacionais. Não há demérito na sua organização e há que reconhecer o esforço e a sua importância mas não se deve empolar porque isso leva à criação de expectativas que depois não se podem cumprir. A tal parceira público-privada oportunamente referida pelo Presidente da Câmara poderá definitivamente afirmar a Revidouro na região. Mas Alijó, em si, é muito mais do que vinhos, gastronomia e artesanato. Basta, por exemplo, olhar para o património arqueológico que acaba também por estar subjacentes à Revidouro mas sem a importância devida. Há também a necessidade desta feira se afirmar no plano empresarial e ser uma mostra transversal de tudo o que de bom se faz no concelho. E se o objectivo é fazer uma feira de vinhos então a localização, pelo menos, terá que ser repensada. E por muito que os alijoenses não gostem, no concelho só há uma freguesia (ou duas) com ligação ferroviária e fluvial. Para a feira anunciada, no Pinhão, para 2008 espero sinceramente que se cubram estas lacunas e se explorem outras vertentes.
 
Linha do Douro a Salamanca
Na mesma entrevista, o Dr. Artur Cascarejo fala da ligação ferroviária a Salamanca. Refere que o investimento da reabertura não é representativo em termos de orçamento de estado. Até sou capaz de concordar com o assunto e admito que a reabertura não fique cara. No entanto foi realizado um estudo (dos bons e credíveis!), ao qual tive acesso, que refere que:
- no Porto-Regua o comboio terá que fazer 1h30 (contra a 1h45 actualmente);
- no Porto-Pinhão o comboio terá que fazer 2h00 (contra a 2h40 actualmente ou mais em caso de transbordo na Régua);
- no Porto-Pocinho o comboio terá que fazer 2h45 (contra a 3h40 actualmente);
- no Porto-Barca de Alva o comboio terá que fazer 3h00;
- no Porto-Salamanca o comboio terá que fazer 4h00 a 4h30 no máximo;
- no Salamanca-Pinhão o comboio terá que fazer 2h30.
Estes representam os valores mínimos para que, pelo menos se pondere a reabertura do troço internacional. Daqui se depreende que não bastam os “poucos” milhões do Pocinho a Fuentes de Onõro (os espanhóis já recuperaram o resto do troço até Salamanca) mas sim mais investimento para que toda a linha seja recuperada. Nada do outro mundo. Aliás, se a REFER aplicasse critérios de manutenção e exploração tão exigentes, como por exemplo a SNCF, teríamos toda a rede num estado de desenvolvimento e qualidade ímpares.
Este estudo dá particular importância à vila do Pinhão, e certamente daí o interesse do Dr. Cascarejo. O Pinhão funcionaria, atendendo aos tempos de viagem, como a plataforma de distribuição entre Portugal e Espanha. Mais refere o tal estudo que a complementaridade turística da ferrovia com o modo fluvial seria mais do que suficiente para tornar atractiva esta opção. No plano comercial, enquanto a AV de Aveiro a Salamanca, que não deverá receber fundos do QREN nem os espanhóis estão interessados, não se realizar, a Linha do Douro pode muito bem, nos parâmetros de tempo definidos colmatar a posição estratégica do Norte de Portugal face, não a Espanha, mas sim a toda a Europa. Porque ao contrário do que José Saramago diz, Portugal não será nunca uma província espanhola. Ele só tem essa sensação porque nós teimamos em estrategicamente ficar dependentes de Madrid, olhe-se a OTA e olhe-se o próprio traçado da AV Lisboa-Madrid.
Sim à ligação a Salamanca porque se gasta dinheiro e muito mais dinheiro em coisas disparatadas e sem nexo. Mas cuidado, para evitar uma nova Salamancada toda a plataforma onde assenta a Linha do Douro terá que ser renovada e preparada para que se atinjam velocidades máximas na ordem dos 100 a 110 km/h com todas as implicações que daí advém.
Ao Sr. Presidente da Câmara o apelo para que proceda a diligenciais tão ou mais fervorosas quanto as que teve por ocasião do Aeródromo da Chã. Desta vez não é o Pinhão que ganha, mas sim todo o concelho e toda a região. A oportunidade de o Douro saber que foi o concelho de Alijó a colocá-lo no mapa.
 
Do artigo do JN (ver artigo JN)
Do artigo que hoje saiu no JN que aborda a questão dos contentores e da estação ferroviária deixo umas breves notas porque já me alonguei em demasia.
No Pinhão e em Alijó promove-se a “cultura do oficio”. Toda a gente tenta resolver problemas com ofícios a fazer pressão. É um tique que vai desde a Junta de Freguesia do Pinhão à oposição PSD em Alijó. Eu ando nisto (na vida, entenda-se) há pouco mais de duas décadas mas já percebi que as cartas pouco ou nada conseguem quando o seu objectivo é alterar decisões políticas. Com a excepção de uma carta dirigida ao Engº António Guterres em tempos idos (e que proporcionou grande parte das coisas que fiz pelo Pinhão), nunca obtive resposta aos ofícios enviados à administração central ou empresas públicas nacionais. Ou seja, mais do que enviar ofícios e dá-los a conhecer, mais do que escrever para os jornais para eles publicarem fotos e darem manchetes erradas (os contentores não estão lá há anos, mas sim há ano e meio sensivelmente), mais do que chamar a TV e mais do que passeios pela vila é preciso tomar medidas. É preciso fazer coisas.
No caso dos contentores já se percebeu que o IPTM (ou lá como isso se chama agora!) empurrará indefinidamente as responsabilidades da sua localização. Mas eu, neste blog, já oportunamente referi que aquele espaço, a menos de algum protocolo acordado, não pertence à freguesia do Pinhão e a junta não tem jurisdição sobre ele. Mas mesmo que tenha sido a Junta a colocá-lo lá, questiono-me sobre o motivo. Há um posto de turismo junto da estação ferroviária (a maior porta de entrada, mesmo que vem de barco vai para a estação). Se esse espaço não é utilizado para informações turísticas porque carga de água foi a Junta pedir contentores para por na praia com o mesmo objectivo. Se não há dinheiro para um, também não deve haver para o outro, digo eu! E para que se conste, até acho os contentores engraçados, evidentemente preferia que estivessem a ser usados mas eles não são feios. Pior será o praia Bar (o concessionário não tem obviamente culpa já que é uma obra da Junta de Freguesia) ou a tal obra da Casa da Praia que está à meses parada sem que ninguém se importe e sobre a qual o Dr. Artur Cascarejo se referiu na tal entrevista.
Da estação, a resposta da REFER só me surpreende porque o seu porta-voz não sabe o que diz. A estação do Pinhão está fechada, há anos que não dispõe de venda de bilhetes (tal tem que ver com a CP e não REFER – há quem não saiba a diferença!) mas aos Sábados para o turista passar além desta abrem as de Covelinhas e Vargelas por uma questão de exploração comercial. Porque é que a do Pinhão não abre?! Mas isso, tal como muitas outras coisas, tem uma solução que eu já referia. A Câmara ou a Junta deverão solicitar um protocolo à REFER para que fiquem com esse espaço e o rentabilizem.
Peço desculpa pela extensão. Até para a semana
 
Luís Manuel Madureira de Almeida
Msc Engenharia Civil
Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa
publicado por Luís Almeida às 12:12