Numa palavra… inadmissível. Só assim é possível caracterizar a posição da vila do Pinhão face ao 74º aniversário da criação da freguesia.
Uns apregoam contenções económicas e outros falam altura inadequada; o que é certo é que o Pinhão ignorou mais uma vez a data que lhe deu independência face a Casal de Loivos. E numa altura em que tantas das inúmeras associações da vila tentam mostrar trabalho é inadmissível que se esqueçam desta data não lhe dando o mínimo de atenção. Para disfarçar este inacreditável esquecimento eis que se faz um baile que não foi mais que uma solução de última hora perante a evidência do erro.
Quando em Alijó se gastam mundos e fundos em actividades destinadas a levar o concelho ao exterior é inadmissível que uma mera verba de 500 Euros não seja possível de atribuir para comemorações de algo mais valioso: a história do concelho. Mas porque esta não é uma obrigação da Câmara Municipal, pergunto porque não o fez a Junta de Freguesia. Haverá certamente os 500 Euros nos seus cofres ou até nem seria necessário tanto dado o talento que existe na juventude, o rancho folclórico e um recém-criado grupo de jovens. Eu já fiz bem mais com bem menos dinheiro (nenhum para ser exacto). Mas coloquemos as coisas no nível empresarial: qualquer investimento público deve ser encarado como uma oportunidade de retorno. E uma actividade em altura de vindimas no Pinhão geraria mais lucro do que os gastos. Para quando esta mentalidade empresarial e legitima de organizações públicas.
Mas pior que a falta de iniciativa é o desrespeito por aqueles que a têm. Já o disse muitas vezes e torno a referir: várias entidades particulares e empresariais há muito que deixaram na Junta de Freguesia propostas de eventos com retorno claro do investimento. E esse retorno permitiria a Junta de Freguesia sair do alegado estado difícil que se encontra a nível económico e financeiro. Quanto mais não seja, o dinheiro gerado por eventos promovidos pela Junta, já que não pode entrar nas contas, reverteria a favor da Comissão de Festas, do grupo de Jovens, dos Bombeiros ou de qualquer outra associação que dele necessitasse. O Pinhão nunca ficava a perder.
Há hoje na vila jovens empreendedores com conhecimento de economia e finanças apreciáveis e outros com conhecimentos sociais incríveis que saberiam colocar o mais ousado projecto em prática e dele tirar os lucros que cobrissem o investimento. Pelo menos entreguem a iniciativa a esses… para que mais nenhuma vez se cometa o vergonhoso esquecimento de comemorar a data mais importante da vila.
O outro disse que o “fair-play” era uma treta, eu digo que a falta de dinheiro “é uma treta”. Há omoletas que se fazem sem ovos…
Luís Manuel M.A.
publicado por Luís Almeida às 12:57