Hoje duas temáticas distintas. Diz-se que falo demasiado de política neste blog e que por vezes esqueço o mais importante. Concordo, mas não posso deixar de mais uma vez chamar a atenção para um ou dois aspectos políticos. Depois o turismo, terminou mais um ano e a redução de turistas no Pinhão (não no Douro) é de mais evidente sem que ninguém se preocupe.
 
Começando por politica é desconcertante a forma como o PS reagiu ao PSD na temática do aeroporto da Chã. O comunicado emitido e enviado a alguma comunicação social é no mínimo tão pouco esclarecedor como o dos laranjas. Trocam-se palavras e gasta-se tinta mas ainda ninguém justificou plenamente tal empreendimento megalómano. Aguardo comunicado com o timming certo e com as explicações necessárias sem descer ao nível que apresentaram, na sua redacção e conteúdos, os comunicados das principais forças politicas de Alijó.
Mas esta questão suscita-me ainda outra inquietude. Actualmente o PS é a força politica maioritária no concelho, quer na Câmara Municipal quer no número de freguesias rosa. E como todos os partidos, o PS dispõe de uma Comissão Política Concelhia (CPC). Na minha leitura este órgão interno funciona como “gestor” da actividade partidária e como consultor em matérias delicadas. Aliás o próprio regulamento do PS assim o determina: “Apreciar a situação política geral e, em especial, os problemas da área do respectivo concelho; Criar e dissolver grupos de trabalho para desenvolvimento de actividades de âmbito concelhio; (art.-41º)”.
Ora assim sendo estranho que a CPC do PS Alijó não esteja dotada de capacidade científica capaz de apoiar na tomada das melhores decisões possíveis em todas as matérias. E assim não estranho que se emitam comunicados completamente absurdos relativos a uma questão técnica mas sem qualquer fundamento técnico. Mais ainda acabo por não estranhar que membros dessa CPC emitam em público opiniões desprovidas de qualquer rigor e carácter cientifico quando em estudo estão questões do foro cientifico (e já nem falo em bom senso).
Há ainda outra questão relativamente a essa CPC que me preocupa mas que será um dia talvez alvo de outra reflexão, que é o facto de ser constituída por todos os presidentes de junta socialistas: “Os […] Presidentes das Juntas de Freguesia, os Presidentes das Assembleias de Freguesia […] inscritos na área do concelho participam, sem direito a voto, nas reuniões da CPC – art. – 40º”
Bem, já perdi mais tempo a ler os regulamentos dos partidos do que os representantes desses partidos…
 
Virando agora para as questões que realmente interessava que fossem resolvidas por quem de direito. É inegável que o Pinhão perdeu turismo este ano. Basta, por exemplo, contar os comboios especiais que por essa época costumavam dirigir-se ao Pinhão. Razões para essa diminuição: estação fechada, dificuldades de operação do gestor ferroviário, encarecimento do produto.
Os barcos continuaram a trazer turistas com apenas 5 minutos para irem da praia à estação e muitos deles foram mesmo abandonados na vila, que não fosse ser pequena, poderia mesmo causar desorientação. Tive oportunidade de encaminhar um grupo de 5-10 pessoas que num destes fins de tarde de Sábado alegavam ter sido despejados pela Douro Azul e estavam completamente desorientados. Mais um exemplo do que esta empresa devolve ao Douro.
Mas as noticias vem da terra fria. O pólo turístico do Douro será finalmente criado em Vila Real (???). Não querendo ser agoirento os sintomas não são os melhores. A sede será numa cidade que fica no limite noroeste da região, completamente descentrada de toda a demarcação e após uma longa luta com outras cidades. A menos que o Douro tenha crescido após o Marquês de Pombal, esta falta de centralidade, num país que tudo centraliza, é no mínimo, contraditória. Depois o próprio processo de eleição que resulta do desentendimento de membros das extintas regiões de turismo que tinham jurisdição no Douro. Finalmente a escolha do Dr. António Martinho para a presidência da Comissão Instaladora. Sem dúvida que um homem do Douro, mas que hoje já possui cargos que lhe ocupam a maior parte do tempo.
Desejo muito sinceramente as maiores felicidades ao governador do distrito de Vila Real e que este pólo seja de facto a entidade reguladora e dinamizadora que falta à região, mas enquanto duriense não posso deixar de mostrar a minha reserva com estes dois ou três aspectos.
 
Luís Manuel Almeida
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publicado por Luís Almeida às 08:46