Tendo saído de cena quem não era de cena, o protagonismo recai agora sobre as eleições locais do próximo dia 11 de Outubro.
Por todo o país o colorido é agora bem mais intenso e diversificado não só pela diversidade de candidatos em cada freguesias como pela força e empenho que candidaturas desprovidas dos grandes meios da propagada empregam nas suas acções.
Contudo em Alijó, a par deste colorido o nível da campanha bateu no fundo de forma preocupante e assustadora. Um dos últimos textos divulgados oficialmente pelo PS é insultuoso para com a sua oposição num claro atropelo dos valores democráticos que todos devemos defender neste momento da sua expressão máxima: as eleições, onde as pessoas são soberanas.
Apelidar de “coisa ruim os outros” afirmando que “rosnam” e se “babam” é do mais baixo que se pode descer. O insulto é o sintoma de desespero e atrofio democrático. Fala-se em asfixia, agora percebo porquê. E é grave que o site oficial de uma candidatura a um órgão público albergue textos com este teor baixo e mesquinho. Por outro lado compreendo que a falta de conteúdo programático turve a lucidez de alguns. À falta de ideias insulta-se quem as tem numa posição que arrogantemente o Partido Socialista tem tomado em Alijó e no país. Pergunto eu! Onde está o PS dos verdadeiros socialistas? Creio que muitos desses verdadeiros socialistas se envergonham com estas atitudes e preferem refugiar-se e distanciar-se.
Esta falta de conteúdo programático já se tinha notado nos três debates que decorreram até ao momento entre o Dr. Miguel Rodrigues e o Prof. Artur Cascarejo. Por aqui se percebeu quem fez o trabalho de casa. Sistematicamente foi o candidato laranja a impor o ritmo dos debates introduzindo sempre novas questões e suscitando novas situações encostando o adversário à parede sem que este pudesse fazer mais do que se explicar. Foi inclusivamente perturbadora a excessiva necessidade do candidato socialista em se justificar de tudo e mais alguma coisa esquecendo-se dessa forma de referir quais as suas ideias para Alijó. Recordo por exemplo a justificação do não cumprimento da lei da paridade que assenta no facto do compromisso com os candidatos ter sido assumido há 16 anos e por isso não se fazem alterações nas listas. Não podia ser um argumento mais patético até porque a lei da paridade foi uma invenção socialista. Já para não dizer que o PS com esta atitude perdeu a sua ultima oportunidade de renovar quadros e lançar o sucessor de Artur Cascarejo.
O nível baixo que o PS impôs a esta campanha não está felizmente a ser seguido pelos outros dois candidatos. O PSD e a CDU tem-se apresentado com elevação e interessados no debate das ideias e obtenção das melhores soluções. É necessário estranhar-se que o partido no poder esteja desta forma tão pouco à-vontade e precise de baixar o nível para sobressair. Mas não me canso de referir o quão lamentável é que sejam publicados no site oficial da candidatura textos de carácter insultuoso e pouco dignificante da democracia preferindo o PS continuar na campanha do “bota-abaixo” sem nada de novo acrescentar.
Seria tão mais produtivo e interesse que o site, à semelhança dos restantes partidos, fosse utilizado para divulgar as acções da campanha e o seu balanço bem como o programa e não tanto para proferir impropérios e declarações aparvalhadas dignas de uma campanha no terceiro mundo. Mas de quem tem rejeitado a internet ao longo destes 8 anos como meio de divulgação e informação, não se poderia esperar muito mais. Sendo nestas alturas que se revelam os verdadeiros interessados no esclarecimento das populações e aqueles que nada tendo a acrescentar apenas querem garantir a continuidade dos seus lugares de poder e dos “jobs for the boys”.
 
Luís Almeida
 
publicado por Luís Almeida às 01:22