NOTA DE EDIÇÃO: Sempre que eu desejar expressar publicamente as minhas opiniões ou posições sobre determinados assuntos, fá-lo-ei através o meu blog e assinando com o nome próprio completo.
 
Já neste blog, ou no espaço percursor, o saudoso “Opinando” no site pinhao.com.sapo.pt, me insurgi… não, chamei a atenção para uma certa tendência para a politica local ter horizontes muito pouco alargados, hoje vou mostrar, com exemplos concretos, bem reais e bem perto de nós as consequências da falta de visão.
Como se sabe esta-se a reorganizar a informação do site, que já em cima referi, e estamos a ter a preocupação de dotá-lo de informações úteis sobre o Pinhão já que mais de 60% das nossas visitas tem como objectivo conhecer esta vila. Para meu espanto, na área dos transportes, verifiquei que o Pinhão perdeu as ligações da Joalto a São João da Pesqueira e a Trevões, perdeu as três ligações que tinha a Lisboa pela Rede de Expressos e Joalto, perdeu mais de metade das ligações ferroviárias que tinha nos primórdios dos anos 90… pior, nem dá vontade de vir ao Pinhão de comboio porque temos que fazer transbordo na Régua, uma estação que nem condições tem para ser terminal de passageiros.
Bem, podemos pensar que se deve à ponte rodoviária estar condicionada há 1, 2 ou 3 anos, já nem me lembro… mas há sintomas mais graves da desertificação a que o Pinhão está votado. Havia uma peixaria, que encerrou e era a única num raio considerável. No inicio deste ano encerrou uma loja de fotografias e revendedora de telemóveis que até fazia parte de uma empresa com várias filiais e… vendia telemóveis e acessórios de todas as redes. Os CTT decidiram redefinir a rede de encaminhamento e o Pinhão é agora um mero posto de distribuição, é ver os camiões passarem de manhã para Alijó e ver o nosso correio a regressar 4 ou 5 horas depois. As cartas devem andar felicíssimas porque vão a Alijó e voltam num dia quando podiam ficar directamente nos destinatários. A CP fechou a bilheteira da estação, deixou a segunda plataforma, a principal desde que resolveu encerrar também o posto de controlo da estação, durante vários anos sem um abrigo das chuvas e remodelou a estação extinfuindo linhas de apoio que agora não permitem que os comboios especiais venham tão frequentemente ao Pinhão. A população diminuiu no concelho 12,3%, que representam 2000 habitantes dos quais cerca de trezentos são do Pinhão, tudo isto em menos de 10 anos (www.ine.pt) e para juntar ao ramalhete é na faixa dos mais jovens que o tombo é maior, cerca de -40%.
A explicação é simples, os jovens não encontram aqui o seu futuro e abandonam o concelho. Os pouco, muito poucos jovens licenciados (sem desprimor pelos restantes) deste concelho, aqueles capazes de injectar sangue novo e novas ideias não se sentem atraídos para trabalhar pelo Pinhão. Há no Pinhão quem não queira os poucos que ainda se atrevem a fazê-lo
A ponte, a ponte é uma fachada, uma desculpa fácil para dar na televisão da atrofia a que o Pinhão está a ser votada. É agora moda atribuir a culpa de todos os males que o Pinhão atravessa à ponte ou à junta de freguesia. É fácil culpar mas difícil é sugerir e ter força para não deixar mergulhar esta fantástica vila num abismo ainda mais profundo que a torne numa “quinta”.
É preciso uma visão alargada e de futuro capaz de conciliar várias áreas num único objectivo comum e dinamizador da economia e sociedades locais. É preciso olhar o Pinhão num contexto exterior, é importante resolver os problemas da vila, mas já é tempo de dar ao Pinhão um novo fulgor e uma nova vida… porque esta terra não vive de turismo como se diz na televisão. Essa é outra fachada utilizada. O Pinhão pouco ou nada lucra com turismo e será essa a primeira correcção a fazer tornando esta vila apeticivel aos turistas e que eles venham e gastem cá verdadeiramente dinheiro. A ponte vai fechar e o único abalo no turismo é que os autocarros que vão buscar turistas aos barcos e os levam para as quintas não os deixando sequer visitar o Pinhão, terão que optar por outros percursos. O Vintage é a única empresa a lucrar com o turismo no Pinhão e eventualmente alguns dos cafés porque o resto do comércio está pura e simplesmente encerrado nos dias de maior fluxo de turistas e até os restaurantes se dão ao luxo de encerrar para férias e ao fim de semana. Não sei em que é que a ponte afecta este tipo de turismo. Talvez agora se tenham apercebido daquilo que podem ganhar, porque ninguém ou quase ninguém lucra com o turismo no Pinhão. Para quê argumentar com isso na ponte.
Em suma, dizia em jeito de brincadeira com um amigo meu, “… o Pinhão precisa de um pouco de política externa…” a pensar em horizontes de futuro e a prever aquilo que o Douro pode ser daqui por 10 anos e qual o papel que a nossa terra tem que desempenhar e onde questões simplistas e superficiais como a ponte não podem fazer parte da agenda diária.
Na data deste texto alguém deu o primeiro passo para concretizar uma visão que considera ganhadora para o Pinhão, veremos que frutos se colherão sob pena de vermos o nosso pomar ser assaltado…

Peço desculpa pela extensão e gostava de deixar uma palavra de apreço por aqueles que me têm dirigido votos de melhoras devido à entorse que ainda me afasta e desde há dois meses da minha vida habitual, dos meus projectos, do meu curso e um pouco do Pinhão, embora este esteja sempre no meu coração! Obrigado…
 
Luís Manuel
(LEC IST2006 Lisboa)
publicado por Luís Almeida às 22:27