Depois de um início de ano muito conturbado com manifestações nos CTT, bloqueios de estradas e boicotes devo confessar que tive alguma dificuldade em encontrar um tema para esta semana. Até eu próprio, na minha vida pessoal, tenho andado conturbado, em convalescença de uma irritante entorse que teima em não curar.

Mas lá vasculhei pelos jornais, de papel e digitais, e fui encontrando alguns aspectos que talvez fossem interessantes. Pelo menos discórdias gerarão.

Na última assembleia municipal foi aprovada uma Carta Educativa Municipal que a oposição diz ter sido elaborada a rebelião da Direcção Regional de Educação do Norte. Bem, mas isso é o pó da questão. A verdadeira razão de fundo da discórdia está no grande pormenor de se proceder ao encerramento de diversas escolas primárias com a concentração dos serviços em 6 pólos escolares.

No caso do Pinhão, mal o menos, já que se receava o encerramento da escola por falta de alunos, mas tal estará para já evitado e num horizonte previsto por esta carta de 15 anos a contar desde 2009/2010. Mas como digo em jeito de brincadeira, por essa altura já serei presidente da junta de freguesia e já terei invertido a tendência de desertificação!

Pelos vistos o problema agudiza-se que se encerram escolas com mais de 20/25 alunos e com uma população escolar estável até 2009/2010. O executivo fala em optimização dos recursos, bem ao jeito do nosso “conterrâneo (?)” Sócrates, a oposição fala em excelente análise da situação actual mas completo desajuste de medidas.

Eu cá, e vale o que vale o que eu digo, acho que sem um estudo demográfico de fundo, que até serviria para analisar a viabilidade de outros projectos (como a elevação de Alijó a cidade) não se deveria decidir nada a tão longo prazo. Fechar escolas, ainda para mais primárias, é uma matéria muito sensível que deverá ser bem estudada caso contrário levanta-se sempre um coro de protestos infindável. Talvez tal não seja ainda evidente já que ainda faltam 3/4 anos para que as medidas sejam executadas.

Mas no fundo acabo por concordar com esta centralização de espaços educativos pois potencia o acesso facilitado a estruturas que apenas algumas vilas do concelho dispõem. Agora levanta-se a sempre eterna questão dos transportes. É necessário que Alijó possa ter uma excelente rede de transportes que não obrigue miúdos de 6 anos a acordar às 6h da manhã e que caso algum professor falte, consigam ter um transporte imediato para casa. Lanço os seguintes números, sobre esta questão, nenhum aluno do concelho deverá demorar mais do que 30 minutos desde o momento em que deixa a sua terra e a hora de inicio da primeira aula e deverão existir carreiras regulares, diria de hora a hora, capazes de colocar os alunos em casa em tempo útil para que possam desempenhar as suas tarefas caseiras, que como se sabe, muitas vezes vão além dos trabalhos escolares.

Se as coisas forem assim, até é capaz de funcionar e não haver muita contestação. A ver vamos! Agora que fique bem ciente que a centralização escolar e esta Carta Educativa não é um bicho assim tão grande que justifique comunicados partidários à comunicação social.

Até para semana!

Luís Almeida

(LECISTLisboa2006)

publicado por Luís Almeida às 22:09