Utilizei a expressão “política de bairro” uma vez ou outra por essa blogosfera e aparentemente pegou daí que convém esclarecer o que significa ou pelo menos elucidar antes que surjam mal entendidos.
A verdade é que não tive a intenção de classificar nada nem ninguém quando pela primeira vez falei publicamente em “política de bairro”. O sistema político do nosso país está claramente dividido em duas áreas separadas por um fosso a meu ver suficientemente fracturante para inviabilizar certas concertações que teoricamente até são eficazes. É como que se os políticos que todos os dias fervilham nas caixinhas mágicas jogassem na Divisão de Elite e os restantes na 3ª Divisão. Aliás, aqueles que realmente “vivem e sentem” a população são os que estão mais longe da verdadeira decisão. Tal como no futebol a divisão de elite assume a designação consumista de Bwin Liga também eu classifiquei a 3ª divisão da política.
No fundo estamos perante dois mundos diferentes, duas esferas que raramente se tocam para infelicidade do cidadão. Já defendi e defendo o sistema democrático como não sendo perfeito, é sem margem de dúvidas, o melhor que conheço. Mas só entendo democracia quando esta é participada efectivamente pelo cidadão e este consegue expressar-se com consequências mais ou menos directas.
Enfim, note-se que não quis rotular ninguém apenas definir aquilo que considero ser um universo paralelo. Agora o funcionamento desse universo paralelo é outra questão e osrótulos que lhe poderiam ser colados poderiam, no mínimo, gerar muita discórdia, pelo que deixo à sua consideração tal análise.
Esta semana fui lendo por aí que são os elementos no executivo, que detém o poder, que são pagos para decidir e dar sugestões e que a oposição apenas deve criticar. Talvez por esta linha de pensamento se vá percebendo a razão de um fosso tão grande de ideologias, influência e campo de actuação, embora o último aceitável até certo ponto.
Tudo isto para se calhar concluir que as autarquias devem sobrepor-se à administração central. Sobrepor-se no sentido de discutir com esta questões importantes a ambas e não necessariamente no sentido de serem mais valorizadas que a administração central. Mas que para tal aconteça é necessário que os destinos políticos mesmo da 3ª divisão sejam conduzidos por pessoas capazes, bem formadas e sobretudo que dêm o devido valor ao que defendem. Encaro a política de elite desta forma e nem sempre encontro grandes exemplos, pelo menos, no nosso concelho.
Uma última nota para me desculpar pelo atraso desta semana que se deve à minha cada vez mais pesada agenda. Prometo vir todas as semanas se bem que nem sempre à sexta. Por isso me desculpo.
Luís Manuel Almeida
MsC Ciências Engenharia
IST-UTL Lisboa 2006

publicado por Luís Almeida às 21:13