Nem a propósito, na semana em que os académicos bateram o pé por mais barragens em Portugal eis que o país se depara com inundações, aparentemente causa da má gestão ou insuficiente número de barragens.
Deixo aqui esta semana algumas das imagens divulgadas na Internet e que retratam a madrugada de Sexta para Sábado que no Pinhão foi tão devastadora como na Régua ou no Porto. E só o faço porque considero inadequada a cobertura que os media deram a esta situação. Mais uma vez ficou claro que o Pinhão não faz parte de Portugal e que talvez se resuma a uma zona da “região da Régua”. Se calhar nem seria mal de todo, mas a verdade é que estamos a falar de pessoas que viveram tão dramaticamente a situação das inundações e com a impossibilidade muito maior de remover seus bens. Recordo que a Régua tem capacidade de encaixe de quase 10 metros, o Pinhão tem 1 metro até o normal leito do rio atingir o primeiro estabelecimento comercial. Não compreendo porque é que nos noticiários o Pinhão não foi uma única vez referido.
Ainda sobre este assunto deixem-me que recorde que linha do Douro esteve esta semana novamente cortada. São já duas vezes consecutivas que a linha ferroviária do Douro é cortada ao tráfego e independentemente da zona o transbordo rodoviário é sempre a partir da Régua. Esta solução é incompreensível porque na maior parte das vezes o percurso entre a Régua e o Pinhão esteve sem qualquer impedimento e quer queiram quer não a estação do Pinhão tem melhores condições que a da Régua. Já aqui há uns tempos falei que na Régua, depois que os comboios deixaram de ir regularmente ao Pocinho, degradou o seu espaço tanto no plano do passageiro como no plano da CP por uma preocupante falta de espaço e condições de segurança.
Concluo com as barragens. O país tem falta delas e isto não é um lobby da EDP. A verdade é que faltam barragens que nos permitam ser mais autónomos energeticamente mas igualmente que permitam regular os caudais. Mas acalmem-se as hostes porque sou 200% contra mais barragens no Douro, pelo menos as que estão projectadas. A do Sabor mutilará paisagem única na Europa, a do Tua deitará ao abandono técnico diversas localidades que apenas têm um comboio cujo traçado ficará submerso. A única que teria, a meu ver viabilidade apropriada, seria a do Côa que não se fez por causa de gravuras que nunca viram o seu potencial elevado ao mais alto nível. Mas mesmo estas seriam devidamente preservadas com o projecto que na altura existia. Repare-se que não sou contra barragens nem ignoro as suas potencialidades mas o seu projecto não deve ser feito às cegas e sem o mínimo de cuidado. Uma barragem que destrua um traçado ferroviário deve ser totalmente rejeitada por quem de direito. Afinal de contas trata-se da destruição de património do estado que custou dinheiro ao bolso dos contribuintes. E se a do Sabor não destruirá nenhum investimento do Estado vai certamente afectar a flora e fauna únicas de uma região pura.
Peço desculpa por esta inconstância deste mês, eu fui avisando de uma certa indisponibilidade por questões de agenda,
Até para a semana, certamente, afinal de contas dia 1 é um dia importante… o feriado da Restauração da Independência
 
Luís Manuel Almeida
MsC Engenharia Civil
Lisboa 2006 (IST-UTL)
publicado por Luís Almeida às 20:47