Mais uma farpa foi esta semana apontada à alma dos verdadeiros pinhoenses mas também ao interior norte e em particular a um Douro que tarda em ver reconhecidas as suas potencialidades e direitos de património mundial da Unesco.
O encerramento do agora sub-posto da GNR é um facto a consumar muito em breve de acordo com um estudo governamental. De facto, do governo, qualquer estudo desfavorece sempre o interior do país e as regiões que de maior estímulo precisam. A saber, foi a reorganização do parque escolar, as orientações ferroviárias para os próximos anos, o da viabilidade das maternidades. Mas seguir-se-ão outros como o da Saúde que colocará não só a extensão de saúde do Pinhão como o centro de saúde de Alijó em equação, o da justiça que já faz mossa em Alijó e provavelmente para culminar o da reorganização administrativa do país que muito provavelmente extinguirá a maioria das freguesias deste concelho em detrimento de mega (???) freguesias. Este último, diz quem sabe, não afectará de sobremaneira… mas já não acredito muito nisso.
Características de todos estes estudos são os pressupostos de base, errados e desproporcionados. Os mesmos critérios são usados num país de graves e marcadas assimetrias regionais. Recordo o parâmetro que mais me chocou, sim foi choque, foi o de um número mínimo de partos que só a Alfredo da Costa conseguiria cumprir e à tangente.
Voltando ao Pinhão e à GNR é importante que percebamos que são estudos, valem o que valem e dizem o que quer que se digam. Pedro Perry, presidente da Junta do Pinhão, está certo nesse aspecto mas não acredito que se concretize a sua falta de fé na execução, infelizmente!
Note-se que este foi um dos motivos para o boicote presidencial no inicio do ano. Na altura foram prometidos mundos e fundos. Passados largos meses, na esperança do esquecimento desses contactos, surgiram as medidas que ocorreriam de qualquer forma. O depósito fiel de todas as esperanças e crenças num governador civil foi um acto de ingenuidade pura. Toda a gente sabe que a influência deste cargo é diminuta e que as funções de ponte entre a administração local e central nunca foram eficazes. Pressupor que as acções do governo são representadas pelo governador civil é uma mera assumpção teórica que esteve na base desta figura institucional. Na prática o governo civil pouco ou nada tem a dizer. E a prova está à vista.
Aparentemente resta a esperança às gentes do Pinhão. Mas creio que seja necessário mais do que isso. E novas formas de luta que passem por boicotes ou outras manifestações não autorizadas apenas contribuirão para uma maior descredibilização das autoridades por esta vila. Temos certamente que defender os nossos interesses mas a força nunca resolveu nada. Admito porém que este seja o último meio disponível para os pinhoenses porque durante repetidos meses foram assistindo impávidos e serenos ao tal “esvaziamento de serviços” que tanto se fala. Deixem-me que vos conte uma comparação que considero pertinente. Coloque-se uma rã num tacho de água a ferver e esta salta para fora, coloque-se a mesma rã num tacho de água fria e aqueça-se lentamente e assistir-se-á à lenta e dolorosa morte do animal. As acções deveriam ter sido tomadas no dia em que o primeiro militar da GNR saiu do Pinhão, no dia em que o primeiro comboio foi suprimido, no dia em que o primeiro atraso das obras se verificou, no dia em que a primeira carta não foi entregue tal como na semana passada, assim que a primeira gota galgou a marginal todos os comerciantes e habitantes removeram os seus pertences das zonas de inundação.
Não se pense que eu também não sofro com estas atrocidades, nem sequer sou a favor… mas as coisas continuarão nesta linha se nada for feito imediatamente por mais tarde que seja.
Luís Manuel M Almeida
MsC Engenharia Civil
Lisboa IST-UTL 2006
publicado por Luís Almeida às 20:00