O Pinhão é e deve ser uma vila de turismo e nunca tal deve ser visto como algo de negativo.

Recordar-se-ão que a primeira actividade económica do Pinhão foi a pesca mas a centralidade desta vila tornou-a cosmopolita como disse Miguel Torga e evoluiu para o comércio como a actividade principal. Economicamente o Pinhão depende de comércio e serviços e nada melhor que o turismo para o fomentar e estimular.

Vejo nas palavras de alguns comentadores alguma mágoa em relação ao desprezo a que o Pinhão tem sido votado, mas alimentar essas mesquinhices é ainda pior. Devemos lutar mas devemos fazê-lo como deve de ser. A manifestação, o boicote e o corte de vias devem ser apenas a última opção.

Talvez quem esteja no Pinhão e arredores não perceba, mas quem como eu está também noutros pontos do país percebe que estas atitudes não são compreendidas pelo resto do país e que em vez de ajudar... descredibilizam.

Já agora, só queria referir que se houve algo quem não se deva ao boicote e a corte de estradas foi a opção do ferry-boat. Eu fui em alguns textos deixando excertos da história complicada que esteve por detrás dessa matéria e em lugar algum me pareceu que o corte da estrada tenha contribuído para alguma coisa. Tal como não me pareceu nunca que o boicote tivesse servido para alguma coisa... aliás o resultado está à vista...

Já na questão dos CTT a administração de empresa classificou como absurda e despropositada a acção encetada, faz agora um ano.

Eu concordo que devamos defender os nossos interesses com afinco e suando a camisola mas só sou adepto de medidas drásticas em último recurso. Como se vê elas não são frutíferas! Só para exemplificar o boicote às presidenciais não resolveu a questão da GNR, não resolveu a questão dos CTT, não resolveu a questão dos comboios. E a mágoa, que até compreendo, face ao turismo, a meu ver apenas se deve ao facto do Pinhão não viver à custa do turismo como devia e ver passar barcos e comboios “cheios de ouro” para que se depositem noutras paragens. Mas o turismo não é mau da fita.

O mau da fita, ou se preferirem os maus da fita, são aqueles impávidos e serenos senhores detentores do poder que refastelados nas suas cadeiras não exercem o poder de influência que deveriam. Talvez porque também não devemos sempre pedir ao privado que faça o que nem sempre lhe compete era de esperar um certo empenho da administração pública em certos aspectos. A gestão pública no Pinhão tem sido descurada nos últimos anos e a falta de visão para uma estratégia potenciadora e integrada propiciou o abismo para o qual todos os dias dão um passo. Foram erros atrás de erros e não há vila que aguente. Agora que cada vez mais surgem pessoas competentes e formadas, é com prazer que vejo a minha geração caminhar para uma formação superior diversificada e consistente, é tempo de os cativar e pedir-lhes que vistam a camisola pois é deles que depende o Pinhão… e Alijó também!

 

Luís Manuel Almeida

MsC Engenharia Civil

Lisboa IST-UTL 2006

publicado por Luís Almeida às 00:01