Depois de umas férias merecidas que foram gozadas com a secretária atulhada de papéis e dossiers eis que regresso ao “Pinhão, aquela eterna paixão”

Não podia, no entanto, ser um regresso com uma temática tão difícil e que tanta tinta fará correr em 2007. Distancio-me das tradicionais resoluções de ano novo, análises de ano velho e perspectivas de ano novo. Aquilo de que vos falo hoje é realidade que verá em 2007 o auge da sua concretização. Espero estar redondamente enganado mas o tempo do optimismo exacerbado já lá vai!

Aparentemente a ordem de encerramento da EB 2,3 do Pinhão está dada! A escola deverá mesmo encerrar no final deste ano lectivo. Contrapus esta situação quando confrontei a minha fonte com a existência de um concurso de professores válido por mais do que um ano lectivo mas ao que tudo indica este terá sido mesmo o ano de agonia final. A questão que se impõe é que tendo a EB 2,3 os requisitos mínimos de funcionamento estabelecidos pelo Ministério da Educação porquê o encerramento?! Será que o dinheiro não chega para manter as escolas abertas? Ou estará José Sócrates num dilema: educação para um dos países menos iletrados da UE ou OTA + TGV!

A confirmar-se esta situação o Pinhão cai definitivamente num abismo social e político. O Pinhão perde o último dos serviços que torna esta vila movimentada e acrescenta à lista do esvaziamento mais um equipamento. Neste caso um elefante branco no sentido total da expressão! A confirmar-se esta informação depois de tantos avanços e recuos da Carta Educativa cuja discussão pública parece ter sido feita na sombra o Pinhão chega a um ponto sem retorno no seu estagnado desenvolvimento.

Neste contexto, após o desrespeito dos CTT, após a ineficiência dos órgãos autárquicos a todos os níveis e o esquecimento a que a mais pequena das maiores vilas do concelho está votada, após a mutilação do posto da GNR, prevendo-se mudanças na saúde nada favoráveis, o optimismo quanto a um inverter do estado de coisas esfumou-se. O Pinhão chega assim a um ponto sem retorno precipitando-se no abismo do qual pode nunca mais recuperar tal é o estado de desertificação que abandona a região. E ou aparece um D. Sebastião de imediato mas de preferência desprovido de qualquer capa de protagonismo público ou empresa privada em busca de lucros, afinal de contas esses contribuiriam ainda mais para tornar esta vila num lugar turístico, creio que a esperança se não estiver perdida está bastante abalada.

A solução, há uns anos parecia estar num conjunto de jovens empreendedores com os quais tive o privilégio de privar. Sentia neles uma força imensurável de fazer algo pela sua terra e mediante as suas capacidades e recursos, na altura fizeram. Não se chamava a televisão para registar acontecimentos negativos mas para registar o trabalho desses jovens. Essa geração, como as vindouras, tiveram necessidades diferentes, partiram já, muitos deles, desta terra em busca do seu curso universitário e quando quiserem regressar vão encontrar um Pinhão que não criou condições para os receber. Vão encontrar um Pinhão que rejeitou muitos dos projectos, que mesmo do outro lado do país insistiram em levar a cabo e em apresentar, vão encontrar um vila a perder todos os seus serviços mais básicos e cada vez mais entravada por esses montes que tanta beleza dão mas que tão perigosos se podem tornar. Uma vila que esqueceu a cultura, que aparentemente este ano esquecerá a grande Festa Anual pela Nossa Senhora da Conceição, que não aproveita as oportunidades decorrentes do turismo preferindo atacar essa potencial fonte de dinamismo social e económico. Uma terra ao abandono do poder politico a todos os níveis com uma junta de freguesia impotente face a restrições mais elevadas. O rancho folclórico é a única nota positiva e demasiado positiva mesmo. É a única coisa a registar ao fim destes anos que tenha surtido um efeito positivo. Que dure, que dure muito e sobretudo que não deixe esquecer as tradições da vila se outros o deixarem.

Temos uma vila com mais instituições associativas do que sócios com os cargos ocupados há anos pelas mesmas pessoas. O comodismo instalado pela prosperidade do Pinhão até ao início dos anos 90 terminou. O ciclo é negativo e é preciso agarrar esses jovens com conhecimentos técnicos e científicos, não deixá-los ir para outros lados e são precisas mudanças para que todas essas instituições comecem a funcionar de acordo com os objectivos que lhe foram atribuídos nos estatutos.

O Pinhão vai morrer, é uma questão de anos! É necessário fazer algo urgentemente para evitar essa situação. Continuo a condenar acções que afectem o bom funcionamento do país e ainda denigram mais a imagem da terra. Os boicotes devem ser a solução de último recurso. Mas, ao contrário do que há um ano escrevi neste mesmo blog, agora sou eu que entendo que tal é o estado de desespero que as medidas a tomar têm mesmo que ser desesperantes. As promessas feitas pelo poder politico a todos os níveis não se concretizarem, pior, aconteceu exactamente o que foi prometido que se evitaria. Falhada a missão diplomática que sempre defendi, se calhar as medidas a tomar em seguida terão mesmo que ser mais dramáticas. O Pinhão que vista luto por esta situação, que espalhe tarjas a denunciar todos os problemas, que se faça ouvir como melhor sabe. E se o boicote de há um ano nos mostrou o quanto esta população pode estar unida. Pois que se una novamente, agora, para impedir que esta escalada de esvaziamento de serviços continue sem precedentes.

Peço desculpa pela extensão, mas é o acumular de algumas mágoas destas três semanas. A verdade é que, como me disse algures o presidente da Junta do Pinhão, só não nos tiram o título de Vila porque este não custa dinheiro. Desejo-vos um 2007 pleno de concretização de ambições.

 

Luís Manuel Almeida

MsC – Ciências da Engenharia

IST – UTL Lisboa 2007

publicado por Luís Almeida às 11:58