Passadas as euforias de ano novo eis que regressamos à tradicional rotina.
E quando me refiro ao regresso da tradicional rotina estou a incluir os comentários indecorosos que têm pululado por este blog nos últimos dias. Parecia que a situação estava resolvida mas afinal não.
 Voltando à questão essencial da razão da existência deste blog: o Pinhão; e da qual vezes de mais tenho sido obrigado a distanciar-me não trago hoje nenhum tema em particular mas sim um conjunto de ideias.
A questão dos correios foi alvo de uma reportagem televisiva esta semana onde se pediu o regresso de um jovem da terra aos quadros da empresa que desempenhava com excepcional rigor as suas funções e que foi afastado devido ao encerramento da distribuição no Pinhão. A verdade está lá toda, depois que Alijó tomou a distribuição o correio, quando chega, é tarde a más horas. Não que a situação esteja melhor no resto do país mas o conselho da empresa é que se registem todos os documentos (sempre entram mais uns cobres). É este o panorama de uma empresa que entrega em Madrid correspondência em menos de um dia e em Portugal e para os Açores demora cinco vezes mais.
Aparentemente estão reunidas as condições para a organização do desfile de Carnaval este ano no Pinhão. É algo que se deve de facto aplaudir e apoiar embora fique sempre uma ligeira mágoa por vermos, ao que parece, morrer a Festa de Nossa Senhora da Conceição depois de um trabalho esforçado de todas as comissões que desde 1997 têm mantido vivo este grande evento. Sem desprimor pelo Carnaval, acho que todos perceberam a minha posição em caso de dúvida, mas também sou da opinião de que os dois eventos e eventualmente mais alguns deveriam existir. Há coisa de um ano deixei na Junta de Freguesia um conjunto de projectos de diversas actividades assinados por diversos jovens que incluíam actividades num horizonte temporal de ano e meio. Nenhum desses projectos chegou a ver a luz do dia. Não por falta de dinheiro (eram projectos auto-suficientes) … por falta de apoio logístico.
Terminada esta época de festividades, e porque não quis fazê-lo mais cedo, não posso deixar de registar que não se viram luzes de natal e a vila do Pinhão foi mesmo a única localidade de Portugal que nem um pinheiro no seu largo central tinha. Longe vão os tempos em que o Natal era assinalado com uma noite em que a freguesia toda se juntava para ouvir música, poesia e ver dança ou representação.
Também não posso deixar de mostrar a minha apreensão face ao parecer positivo da CCDR-N para a Douro Azul construir um resort de luxo no vale da Rede em plenas portas da região demarcada do Douro. Perde-se a paisagem e alguém certamente ganhará muito dinheiro à custa do prejuízo do património natural. E não, não é desenvolvimento isto que aqui vemos. Desenvolvimento é a demolição da exploração mineira de Bagaúste para criação de uma pousada. A paisagem aí já estava degradada daí que uma unidade hoteleira que não fossem em altura, como parece ser o caso, só traria benefícios.
Até para a semana.
 
Luís Manuel Almeida
MsC Engenharia Civil
IST-UTL Lisboa 2007