Às vezes faltam ideias mas outras vezes basta ver como fez o vizinho e fazer como ele.

A minha ideia para esta semana é que há exemplos que o Pinhão, enquanto vila e sociedade deveria seguir. Ou seja, há coisas que a população deveria fazer reunindo-se em torno de um objectivo comum.

O estado de agonia está instalado na economia local e talvez noutras instâncias que se saturam ao fim deste tempo. A passividade não é certamente a melhor forma de dar a volta ao texto. Vejamos alguns exemplos que se calharam deveriam ser seguidos.

Em 2004 a CP reformula, pela primeira vez em muitos anos, toda a oferta nacional de comboios. Alvações, na Linha do Corgo, insatisfeita sai à rua e corta a linha não só no Corgo como na Régua. Passados 15 dias os horários em vigor eram os desejados pela população. Madalena, Cuca, Pereirinhas, e muitos outros apeadeiros suburbanos do Porto impedem sistematicamente a circulação dos Alfa Pendular. Um mês depois estas estações têm paragens comerciais dos suburbanos. Em comum com o Pinhão têm o facto de serem localidades desconhecidas, mas o Pinhão até nem o é!

No Porto, os STCP – empresa suburbana de autocarros da cidade – suprime carreiras. A população das diversas cidades-dormitório em redor sai à rua. Dois meses depois os STCP recuam nas suas posições. O Pinhão perdeu muitas ligações rodoviárias com o encerramento da ponte. Até hoje nada.

Em Darque, Viana do Castelo, não havendo ferry-boat a população corta a linha do comboio e impede a passagem dos comboios internacionais para Vigo. Depois de terminar no Pinhão o ferry-boat aí utilizado vai para Darque. O Pinhão continua sem que haja vislumbre de uma nova travessia no Douro e a existente está reduzida a regulação semafórica.

Várias localidades perderam urgências ou SAP’s – Serviços de Atendimento Permanente -, como em Alijo. A população sai à rua e o governo recua apesar de o não admitir estabelecendo protocolos.

Em 1974, a ditadura instalada desagrada ao país. Os militares dão o mote e a população sai à rua. Hoje temos liberdade, eu tenho um blog e há uma série de anónimos que aqui vêm tratar mal toda a gente.

Com excepção deste ultimo exemplo, fruto da nostalgia da época, todos os restantes tem em comum o facto de a população se ter unido em redor de objectivos e ideologias comuns. A única vez que isso aconteceu no Pinhão deu num boicote que não se traduziu em resultados práticos. Recentemente o governador civil de Vila Real anuncia reforço de GNR mas… para Vila Real. A CP reajusta novamente os horários mas não cria alternativas para trabalhar ou estudar na Régua. Os alunos do 9º ano do Pinhão abandonam assim precocemente a sua vila para se mudarem para Vila Real como vai acontecer este ano. (Neste particular saiu furada a tentativa do Dr. Cacarejo em metê-los em Alijó). A ponte está recuperada mas está amputada fruto dos seus mais de 100 anos e não há movimentos que obriguem a consideração de uma nova para as próximas eleições. Os tais grupos de pressão ou lobbies, como gosta a malta de Lisboa.

Tudo isto para dizer que é preciso mais do que uma acção esporádica. As inúmeras associações que o Pinhão tem, e neste particular a Comissão de Melhoramentos, porque são estes os seus estatautos, deviam-se organizarem para sensibilizar a população em torno de questões pertinentes, promover acções de protesto (ordeiro), actuar junto dos órgãos de decisão a todos os níveis para que não se continue a espezinhar o nome do Pinhão.

Já vimos que a terra tem potencial, já vimos que ainda há esperança e que ainda surgem, ou vão surgir, projectos inovadores, só falta um “Scolari” capaz de nos unir a todos e pôr-nos a remar todos para o mesmo lado. Acreditem que basta que um reme ao contrário para que a nau não avance, e isso tem estado a acontecer à tempo demais nesta terra. É tempo da população se unir definitivamente e dizer: “Basta!”.

 

Luís Manuel Madureira de Almeida

MsC – Ciências Engenharia – Engenharia Civil

IST – UTL Lisboa 2007

 

Post-scriptum: Perdoem-me o desfasamento temporal, agora tenho escrito à Segunda, como disse na semana passada há aí umas coisas que podem alterar um pouco o site e este blog. Lá para Maio deve-se estabilizar.

 

 

 

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publicado por Luís Almeida às 23:28