O sofrimento e a angústia de um fim anunciado são o que de pior pode acontecer a algo ou alguém.

Como normalmente não enveredo por dissertações filosóficas, neste blog, estou-me a referir à agonia de algo.

A CP e REFER lentamente, muito lentamente, para que o sofrimento seja cada vez maior vão acabando com a Linha do Douro. Primeiro foram os cortes políticos (estruturais) e as definições das políticas de modernização ferroviária em Portugal. Começou-se pelo sul, Linha do Algarve, Beira-Baixa e Beira-Alta e quando chegou a vez do Douro chegou também o comboio de alta velocidade. E como dinheiro, como se sabe, não abunda no país nem nos cofres do estado, as prioridades eleitorais ditam que se deite por terra a modernização da rede chamada, pomposamente, de convencional em detrimento de devaneios de país rico de bolsos vazios.

E se isto não se sentiria na pele, a curto prazo, haveria que tomar medidas que evidenciassem claramente que os objectivos para a linha do Douro são o do encerramento. Primeiro as reduções de comboios sustentadas com a falta de procura (20 a 30 mil passageiros/mês só no Pinhão em 2003)(?), depois o fim da bilheteira aos fins-de-semana e feriados, comprovadamente os dias de maior procura. Pelo meio satisfez-se os utentes com a construção de um abrigo na linha 2, erro crasso de projecto aquando da remodelação da estação. Remodelação essa que não agourava nada de positivo. A supressão de uma das 3 linhas existentes dificultou as manobras na estação que aos fins-de-semana vê completamente atulhadas todas as linhas com comboios especiais e disto e daquilo. Hoje quem alugar um comboio para se destinar ao Pinhão paga mais porque o comboio tem que ir estacionar ao Tua. O cliente não sabe, por isso não reclama. Depois o encerramento da estação a partir das 17h e até às 10h da manhã aos fins-de-semana.

Agora a estocada, a meu ver, final com o encerramento da estação nos fins-de-semana e feriados. Cenário de deprimente agonia que provavelmente exalta os sentimentos dos passageiros que chegam no comboio a vapor e dizem: “Que pena, coitadinhos, tem a estação fechada”. De facto isso acaba por provocar a sensação de declínio e terra perdida no tempo e espaço que a CP parece vender com os seus comboios a vapor. Sinceramente, mais vale fechar a linha de vez e deitar a estação abaixo. É CRIME ter património com esta qualidade, o último reduto intocável da vila, fechado a sete chaves sem condições de segurança e conforto adequadas para os passageiros. Na terminologia ferroviária o Pinhão anda em 3ª classe, porque os vagões de mercadorias estão cheios.

Durante anos, os funcionários da CP nesta estação negaram, com relatórios menos precisos a realidade que todos vêem, menos a empresa. Agora, sem condições, é evidente que ninguém vai andar de comboio. E eu, sinceramente, perdi vontade de ir para o Pinhão… cada vez mais perco (eu sei que muitos estarão contentes com isso!) porque a cada visita é mais uma machadada.

Peço a intervenção da Câmara de Alijó, porque pode e deve intervir, peço a intervenção da Junta local porque deve intervir e deve isso aos eleitores para que adquiram os serviços de manutenção e gestão da estação, dinamizem esse espaço, criem motivos de interesse e sobretudo mantenham, sob sua responsabilidade, o edifício aberto e em funcionamento.

Diz quem sabe que esta é das mais bonitas estações ferroviárias de Portugal. Que não desapareça só porque uma empresa não sabe o que é gestão sustentável e qualidade de serviço prestado. Ou então, muito sinceramente, acabem com a agonia de uma vez por todas e deitem a estação abaixo, acabem com a Linha do Douro e destruam de vez o Pinhão…

 

Luís Manuel Madureira de Almeida

Msc Ciências Engenharia – Engenharia Civil

IST – UTL Lisboa 2007

publicado por Luís Almeida às 15:13