A CS adquiriu recentemente os terrenos da Casa do Douro no Pinhão onde há expectativas que apareça um novo hotel mas será essa a verdadeira necessidade da vila e vocação daqueles terrenos?
Que a vocação dos terrenos sugere um projecto turístico não há dúvidas. Mas, meus senhores, lembram-se que em tempo de cheia o Vintage House fica aflito só por molhar os pés, até porque está situada numa das zonas mais altas da Avenida Marginal. E convenhamos que se o Plano de Pormenor (afinal é mesmo Plano de Pormenor, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia recordou-me que tinha havido uma sessão de esclarecimento aqui há uns anos, peço desculpa pelo meu esquecimento), mas dizia que se o Plano de Pormenor estiver realmente bem feito considerará a zona fluvial do Pinhão em leito de cheia e restringirá bastante a construção. Como bem sabemos a construção é o balão de oxigénio permanente das Câmaras Municipais pelo que basta o dedinho do poder autárquico para que um plano permita construção desenfreada. Exactamente aquilo que o Pinhão tem que evitar a todo o custo. E o plano de pormenor ainda não foi aprovado sequer daí que não seja de estranhar as movimentações já bastante aceleradas de alguns promotores “lunáticos” com projectos demasiado ousados que felizmente o bom senso dos urbanistas do concelho chumbou.
E se as questões técnicas deveriam impedir mais hotéis o bom senso também. Ainda este fim-de-semana o Presidente da República, Cavaco Silva, pediu incentivos à natalidade. Algo que eu já defendo há muito tempo no Pinhão mas que como é evidente se estende a todo o país. Mas aparentemente são coisas distintas!? Não! O Pinhão precisa desesperadamente de fixar população, em particular jovem, e de lhes proporcionar qualidade de vida. E parte deste caminho pode já estar conseguido pelas condições naturais que a vila dispõe. Mas é preciso mais. O desenvolvimento económico e social da vila é necessário e fundamental para que o Pinhão não desapareça do mapa nos próximos 20 a 30 anos. Estes espaços que agora surgem deveriam ser aproveitados para diversificar a oferta de serviços e espaços comerciais e criar, sempre em segundo piso e nas zonas mais altas, habitação que pudesse baixar os preços demasiadamente especulados que a oferta quase inexistente criam.
É evidente que este seria o princípio de uma aposta arriscada que envolve muitas outras coisas que poderiam não correr bem. Mas é preciso arriscar e é a Junta de Freguesia do Pinhão que tem que assumir a responsabilidade e a liderança sob pena de deixar uma herança demasiado pesada aos próximos executivos. O Pinhão não precisa de hotéis. O Douro precisa mas não deve ser o Pinhão a ter que assumir essa responsabilidade, ou se a assumir, deve fazê-lo com moderação. Povoar a Avenida Marginal com dois hotéis seria um erro dramático, uma oportunidade perdida de revitalizar o Pinhão e de o fazer crescer. O turismo é o futuro e deve ser encarado como uma mais-valia mas não a qualquer custo nem passando cheques em branco. O Pinhão e a sua Junta de Freguesia devem utilizar o turismo em seu proveito mas sem nunca lhe perder o controlo. Um segundo hotel seria a perda de controlo absoluta, tal como a aquisição do edifício da estação por privados ou qualquer outra investida privada sem que roubasse elementos que têm que ser de vocação pública.
A opção que se tomar para os terrenos da Casa do Douro na Avenida Marginal, além dos equipamentos que o PP do Pinhão prevê, será sempre a escolha entre o futuro sustentado e promissor da vila que trará desenvolvimento social e económico ou subjugação aos interesses privados de forma desmedida e perdendo o controlo sobre a gestão do Pinhão. Pode não parecer, mas dada a escassez de terrenos no Pinhão, é o futuro da vila que aqui está em jogo!
 
Luís Manuel Madureira de Almeida
MsC Engenharia Civil
Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa - 2007
publicado por Luís Almeida às 23:46