Esta semana venho aqui à pressa com a promessa que terei mais calma nas seguintes. E falo-vos de cultura, ou falta dela, um assunto tão velho como os vícios que o Pinhão teima em preservar.
Dei uma espreitadela na próxima edição do Douro Press, que sai sexta-feira, e reparei que de facto só existem, ou quase, menções a supostas actividades culturais.
Tenho que deixar a minha impressão positiva sobre as marchas que recriaram no Pinhão colocando em confronto, amigável certamente, duas partes da vila. No entanto, sem querer ser alarmista, quero alertar para os problemas que tal “divisão” possa causar. Na memória de muitos, felizmente não na minha, estão as festas de Nossa Senhora da Conceição em que os bailes eram divididos entre “pobres” e “ricos”. Uma reminiscência desses tempos são as tradicionais mesas no recinto dos espectáculos, que hoje já não servem para rotular dessa forma discriminatória e injusta os espectadores mas para trazer maior conforto.
Mas já que falemos das festas de Nossa Senhora da Conceição tem que fiar uma palavra de agradecimento pelo esforço e dedicação que uma série de pessoas tem emprestado à realização da edição deste ano. A conjuntura não foi fácil e em Fevereiro havia dúvidas sobre a realização do evento. Felizmente, na altura, diversas pessoas deram o passo para se oferecerem e foi conseguida uma comissão.
Teremos, no entanto, que tirar ensinamentos e conclusões do que se passa no Pinhão na matéria de cultura e das festas. Sobre as festas, sucessivamente tem havido convulsões sobre aqueles que são nomeados para integrar a comissão no ano seguinte que acabam por levar a que os eventos sejam preparados em cima do joelho e sem o tempo necessário para conseguir verbas que permitissem melhores cartazes. Nos moldes em que existe a festa, é um dever de cada um de nós, produzi-la ou ajudar na sua produção, pelo menos uma vez numa lógica de rotatividade. Mas a verdade é que esse sistema está gasto e não permite a evolução que as festas de Nossa Senhora da Conceição merecem e o Pinhão precisa. Já este ano começaram os contactos unilaterais para a nomeação do próximo ano. Mas a verdade é que este sistema faz com que se criem mantas de retalhos com pessoas que muitas vezes são incompatíveis e que inviabilizam a produção das festas. Convidar um por um e só no fim divulgar a equipa formada não me parece ser a melhor metodologia. Deve-se, portanto, na minha opinião, convidar uma ou duas pessoas a formar uma lista que se disponha a concretizar as festas. Desta forma a equipa adquire de imediato o compromisso de executar as festividades e não haverá incompatibilidades com toda a gente a conhecer-se e a saber o que esperar dos restantes. Nessa equipa deverá figurar alguém da anterior para que se faça a transição.
Mas mais do que formar equipas de trabalho a Comissão de Festas enquanto tal tem que dar o salto de uma vez por todas. Refiro-me ao modelo económico. Hoje em dia, a criação de empresas ou associações é feita com uma celeridade que permite que, no limite, todos os anos se forme uma nova empresa. Desta forma os ganhos e as perdas ficariam inevitavelmente registados e no final seria possível apresentar com todo o detalhe as contas do evento para que não surgissem dúvidas. Porém criar empresas custa dinheiro e tempo daí que elejo uma de duas soluções, a criação de uma empresa para gerir eventos culturais no Pinhão (e não digo associação porque para associações “moribundas” já temos muitas) ou a própria junta de freguesia emprestar o seu carácter institucional para viabilizar um gabinete de gestão dos eventos. Criava-se mais dinheiro, os cartazes eram mais fortes, o Pinhão e a população ficavam a ganhar. E nenhum destes modelos inviabiliza a rotatividade necessária e por muitos defendida na execução das festas funcionando também como a base suficiente para que houvesse certezas sobre a edição anual das festividades.
Como tudo na vida, é necessário uma evolução ou então ficamos para trás e torná-mo-nos obsoletos. É assim na vida particular de cada um, terá que ser assim no Pinhão sob pena de que a carta que na semana passada escrevi, se torne realidade.
 
Luís Manuel Madureira de Almeida
MsC Engenharia Civil
Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa
 
 
publicado por Luís Almeida às 12:24