CONSPIRAÇÃO CONTRA O PINHÃO


      Gostava de por vezes não gostar tanto da minha terra para não ter que sofrer sempre que surge uma situação tão vergonhosa como a que agora se abateu sobre o Pinhão.


      Sem qualquer explicação e sem qualquer aviso prévio uma das maiores e mais importantes empresas do país, para mais uma empresa pública que tem como único e principal objectivo servir todos os cidadãos deste país, encerra as portas de uma estação que tem uma área de influência que outras, em Lisboa, não têm. Casais do Douro, Vale de Mendiz, Casal de Loivos, Vilarinho de Cotas, Covas do Douro, Chanceleiros, São Cristóvão do Douro e Gouvães do Douro são apenas algumas das localidades que utilizavam este posto. Num universo de 2000 a 3000 pessoas.


     Mas se o serviço gerado pela população poderia não justificar este posto de correios, o que até admito, não compreendo como é que uma vila onde predominam os serviços desde grandes casas comerciais, escritórios de contabilidade, transportadoras,escolas, inúmeras quintas, hoteis, residênciais, comércio tradicional, bares e restauração não consiga gerar serviço suficiente. Recordo-me das vezes que utilizei este serviço quase nunca lá poder ir durante tarde dado o volume de correspondência dos mais variados tipos que várias empresas locais ali depositavam.


      Não percebo porque é que numa vila encostada a um canto pelas dificuldades geográficas os CTT não tomaram a iniciativa de colocar pc's com internet como em outros postos o que certamente tornaria este espaço muito mais movimentado e rentável. Não percebo porque é que foram gastos centenas de euros na remodelação total do espaço se o objectivo era o encerramento.


      E esta é apenas mais um dos serviços que abandona esta vila em menos de um mês, infelizmente adivinham-se mais situações idênticas, altura para perguntar o que os responsáveis pela terra a fazer nos ultimos anos e se não será tarde demais para aqueles, muito poucos, que agora tentam lutar contra a maré. Começa a ganhar forma a ideia que esta sucessão de acontecimentos aparentemente esporádicos terá uma mão de alguém que apenas quer extorquir esta vila e não lhe dar nada em troca. E agora que tudo está a acabar há que tornar o Pinhão numa quinta novamente.


      Neste último dia do ano de 2005, tão mau para a nossa terra, fica-me a mágoa de constatar que isto é apenas o principio do fim se medidas drásticas e apoiadas por toda a população não forem imediatamente tomadas.


      Que 2006 signifique prosperidade individual e para o Pinhão.!


                                                                                                         Luís Almeida (LEC, IST-Lisboa2005)


 


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publicado por Luís Almeida às 00:00