Fiz por algumas vezes ligeiros desvios ao objectivo deste blog para falar de política. Não porque tenha ambições nesse plano, como muitos sugeriram, mas porque é um assunto que também faz parte da sociedade em que nos inserimos. Hoje em particular, fujo um pouco do âmbito local deste blog, para comentar o desinteresse dos jovens pela política… que também se sente pelas nossas paragens.
Além de cada vez menos jovens se ficarem por estas terras interiores, o interesse pela política tem caído abruptamente sem que nada seja feito para contrariar esta tendência. Os quadros partidários estão envelhecidos e carregados de ideias, valores e metodologias desadequados face à sociedade actual. Uma das razões que eu encontro para que este país se encontre ainda a duas velocidades.
Mas mais do que questões ideológicas, até porque esses estarão fundamentalmente inerentes à estrutura partidária, quadros dotados de jovens conferem uma maior abertura às novas tecnologias, à inovação, à sustentabilidade e um dinamismo importantes. Não serão os dirigentes que acumulam o mesmo cargo durante vários anos consecutivos que terão essa abertura, ou mesmo disponibilidade para essa abertura. Existem, obviamente, excepções… mas são muito poucas.
Vejamos o caso de Alijó, o Partido Socialista mantém a mesma estrutura há vários anos consecutivos com uma lógica de “equipa que ganha, não se mexe”. Pois até é uma lógica interessante em determinadas ocasiões, mas ao fim de vários anos torna-se numa lógica de “dinossauros” em que os quadros não são renovados, correndo o sério risco de um vazio de liderança quando os actuais dirigentes se retirarem. Acaba por resultar no enfraquecimento do partido. Mas o PS é apenas um exemplo, estou muito convicto que o mesmo não se passa no PSD, actualmente, devido aos maus resultados alcançados nas eleições. No caso de PSD a renovação de quadros, mais ou menos eficaz, tem os tais objectivos eleitorais e vai avançando até encontrar o líder que permita devolver o poder. Mas se o poder existisse, essa necessidade ficaria para trás.
Num concelho onde até existem duas juventudes partidárias (JS e JSD), não deixa de ser esquisito que nenhuma se preocupe em sensibilizar os jovens para as questões políticas e a sua importância na sociedade. Optam, as suas distritais, por jogos de palavras e brincadeiras de comunicados na imprensa local, em vez de se centrarem nos problemas da região e incutiram o interesse pelo movimento político. A JS, que é a mais sonante estrutura jovem do concelho é actualmente conduzida por lideres que se interessam pelo parecer bem mas que nada fizeram até hoje em prol do concelho, da região ou dos seus militantes. Pelo Natal surge o almoço de Natal, e pelo Verão os acampamentos. Mas são actividades desprovidas de conteúdo. Tal como esta liderança está desprovida de ideias, de actividade, de dinamismo, de utilidade para o panorama político do concelho. Falta tudo a este nível. E quando assim é… até que nem censuro o facto dos quadros dos partidos não serem renovados.
Não se queixem portanto que o aparecimento de candidaturas e movimentos, ditos independentes (não o são, porque seguem sempre qualquer ideologia) esteja a aumentar e coloque o concelho numa manta cada vez maior de retalhos a nível político. Também não defendo que tudo devesse ter a mesma cor politica…
Simplesmente defendo que o nosso concelho está dotado de jovens com capacidade extraordinária e uma abertura e dinamismo ímpares que os novos desafios da sociedade lhes têm incutido a nível académico. Talvez seja boa ideia as estruturas partidárias começarem a recrutar os seus serviços para que possam sobreviver.
 
Luís Manuel M. A.
publicado por Luís Almeida às 20:18