Pedro Perry iniciou o mandato na Junta de freguesia do Pinhão, há já 6 anos (tempo passa!), perseguido, entre outras coisas, por três fantasmas – herança pesada – a saber, os correios, o comboio e a GNR. Com o tempo outros fantasmas apareceriam e cuja proveniência… poderia, pelo menos, ser evitada.
Depois do anúncio, há 15 dias do possível encerramento do posto da GNR, rebenta o escândalo do encerramento da Linha do Douro acima da Régua, ao serviço comercial. Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, que conheço pessoalmente, respondeu com um seco “o serviço social do Governo, na linha do Douro, termina na Régua”, quando confrontada se a electrificação desta linha seria total.
É uma resposta que me leva a perguntar algumas coisas. Primeiro se não é função do Governo auxiliar as populações mais desfavorecidas e em que o investimento privado mais dificilmente acontecerá. Ou se, populações sem acesso a transportes públicos, deverão ver os poucos que lhes restam negados? Será que no interior de Portugal não há preocupações ambientais e não é necessário promover a utilização do comboio em vez do carro? Se calhar o interior do país é outro planeta! Sinceramente, acho que sim!
Admito que de facto seja o turismo, a sustentar a linha, no futuro. Mas com um acordo de concessão que obrigue ao estabelecimento de um serviço comercial regular em condições adequadas. Mas já se sabe, que operadores privados vão querer ter as linhas disponíveis para os seus comboios turísticos especiais e não ocupadas com serviços regulares comerciais, aparentemente não lucrativos. E já nem volto a falar da viabilidade económica e financeira da linha, porque já me cansei de a referir sobre vários ângulos. Há diversos estudos que o sustentam e o bom senso facilmente o permite reconhecer.
A minha sugestão é a de que copiemos os outros países europeus. Já que copiamos tão maus exemplos, creio que este apenas seja mais um… embora não seja mau! Como em França e Alemanha, os comboios regionais podem ser explorados por uma parceira entre a empresa nacional de transporte ferroviário (a CP, no nosso caso) e uma empresa criada por todas as autarquias com interesse na linha. Já que o estado pode dar subsídios chorudos à FERTAGUS por estar a explorar uma linha de serviço público (ser-se privado desta forma é fácil!) então creio que se distribuir um pouco desses valores pelas autarquias da região para explorar a linha do Douro, não virá mal ao mundo. Afinal aqui é mesmo um serviço público.
Uma última nota para referir o quão estranha é a falta de actuação dos autarcas e da oposição de Alijó nesta matéria. Artur Cascarejo diz-se e contradiz-se em declarações à imprensa, ora defendendo a manutenção de linhas ferroviárias, ora mostrando-se indiferente a esta situação. Recorde-se que sempre foi adepto da construção da barragem do Tua, mas recentemente ao Expresso, até admitiu que a cota ficasse mais baixa para manter a linha. Parece-me evidente que espelhos de água, por si só, não são suficientes para tornar uma área interessante ao turismo. Da oposição ainda não vi ser tomada qualquer posição face à linha do Douro, excepto a presença no Pinhão para constatar “in loco” que a estação continua encerrada aos fins-de-semana. Acho que poderia ser feito algo mais do que pedidos de esclarecimento em reuniões de câmara.
Este encerramento, ao contrário de outras coisas, até foi preconizado com uma antecedência considerável. Espero que os pinhoenses não esperam pelo último dia para mostrar a sua insatisfação! A menos que não a tenham…
 
Luís Manuel MA
publicado por Luís Almeida às 16:50