Mais uma vez a Linha do Douro e o espectro da sua revitalização.
Creio que não vale a pena espernear mais… o governo não acredita no potencial da Linha do Douro, muito porque muito dos seus membros, em particular os do MOPTC, pensam que Amarante não tem comboios, tal como Vila Real e Mirandela (infelizmente, não tardará muito!). Daí que se calhar estejam a profetizar e para não chocar os habitantes dessas localidades dizem que se enganaram.
Sejamos pragmáticos. O transporte ferroviária que se quer… não é este nem nestes moldes. As linhas do Tua, Corgo e Tâmega não são absolutamente nada… nem representam nada (por muito respeito que tenha pelos seus utilizadores). A própria linha do Douro levanta questões legítimas entre a Régua e o Pocinho.
Mas sejamos pragmáticos e racionais. Eu sempre defendi a revitalização da linha do Douro. Continuo e continuarem a defender porque considero ser uma “mina” e o motor que a região precisa. Porque nunca haverá uma auto-estrada que tão eficazmente penetre o Douro (NUTII).
Mas as coisas têm que ser feitas por completo. Abrir a linha do Douro para Espanha deverá implicar uma remodelação integral e substituição da plataforma, pelo menos entre Marco de Canaveses e Ferradosa (há já alguns troços bem tratados). Entre a Ferradosa e o Pocinho, já se vai a 90km/h. Há que rever lay-out das estações e segurança nas mesmas. A Régua não consegue suportar tráfego de passageiros como terminal do Porto, quanto mais como terminal também de Salamanca. Para já não falar na segurança medíocre da estação. As empresas rodoviárias terão que alimentar o comboio, e vice-versa, pondo fim a uma estúpida e eterna rivalidade. Se há sitio onde o autocarro tem mercado abrangente sem necessidade de competir com o comboio… é no Douro. Baião, Resende, Lamego, Pesqueira, Tabuaço, Carrazeda são apenas algumas das freguesias que poderiam chegar ao comboio se os autocarros não tentassem competir e complementassem as ofertas. Mas há mais…
Quanto aos troços de via estreita. Eles foram feitos por condicionalismos técnicos do passado que hoje não lembram a ninguém. Por isso há que fazer o upgrade e com isso melhor significativamente as três linhas. É inadmissível que por Auto-Estrada se demorem 10 minutos de Régua a Vila Real, e de comboio, 50. E repara-se que estas linhas ligam a Vila Real, Bragança, Mirandela, cidades que nos últimos anos se afirmaram. Pode haver aqui um mercado interessante para escoar pela linha do Douro para o Porto, se os tempos de viagem e as condições de transporte forem melhoradas; especialmente no caso das mercadorias e nas ligações a Espanha. Repare-se que os novos troços da A4 (Amarante – Bragança) terão portagem, ao contrário do que o Governo prometeu. Façam as contas…
Finalmente o eterno percurso Vila Real – Régua – Lamego e Viseu. Está na hora de fechar a malha ferroviária. E esta via atravessaria a terceira zona urbana (depois de Porto e Lisboa) com potencial de crescimento, ligando o Douro à Beira. Quem há 150 anos viu esta ligação teve uma visão que se concretizou… pena que a linha não tenha acontecido. Hoje Portugal teria 3 áreas metropolitanas: Mega-Lisboa, Porto e o eixo Vila Real – Viseu. Está estudado… não sou eu que utopicamente digo.
Se vamos olhar para a ferrovia… façamo-lo como deve de ser… O Douro não resistirá a mais outra Salamancada… nem haverá mais fundos comunitários. Olhemos seriamente a região do Douro, Trás-os-montes e Beira Alta. Para que definitivamente o potencial regional se concretize. Já que se mexe… que se mexa bem!
Luís Manuel Almeida
publicado por Luís Almeida às 23:07