Só pode ser ignorância… mas uma maioria absoluta dá para tudo e mais alguma coisa.
Dava uma volta pelos jornais do dia, em particular nos regionais, quando descobri mais uma atrocidade do PS e dos seus representantes na região. As noticias que dominam são a eventual reabertura da linha do Douro e a barragem do Tua. Eis que leio as declarações pouco lúcidas (para não insultar ninguém) de um deputado socialista de Bragança a referir-se à questão da barragem do Tua. Refere este “iluminado” deputado que a era do caminho de ferro passou estamos na era das estradas, e que o distrito de Bragança não precisa da linha de comboio para nada. (http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=197&id=8206&idSeccao=1858&Action=noticia)
Concordo num aspecto, Bragança, Trás-os-Montes e Portugal não precisam desta linha do Tua. Precisam de uma linha do Tua melhorada, atractiva e de ligação a Bragança. Mas pelo menos turisticamente viável. Mas quanto ao facto da era do caminho de ferro ter passado, não passa de uma visão retrógrada, muito pouco informada, e muito pouco iluminada. Por essa Europa fora, é a alta velocidade que contrai o espaço e o tempo em torno da sua rede, aproximando países. É portanto o comboio a fomentar desenvolvimento e já não as auto-estradas. Aliás, a analogia pode ser feita dessa forma. Estão as auto-estradas para a circulação rodoviária, como a alta-velocidade para a circulação ferroviária.
Mas é claro que Bragança não terá Alta-Velocidade, nem isso se aplica à linha do Tua. O que é claro é que Portugal tem uma oportunidade única de potenciar o desenvolvimento num sector esquecido nos últimos 50 anos e com isso acelerar a diferença de velocidades entre o litoral e o interior. Para já não falar que uma rede ferroviária correctamente definida e de alimentação à Alta Velocidade poderá fomentar os lucros para o fim do eterno prejuízo da CP (que agora dá sinais de melhoras significativas).
Portanto, os deputados do PS, em particular este, ou não pensam ou são regidos pelo manual de instruções Sócrates que diz exactamente como proceder em cada situação (faz lembrar os manuais da CP de há umas décadas atrás dada a pouca habilitação dos seus funcionários de então). É lamentável que pessoas com tão pouca lucidez sejam deputados, em representação de gentes que até podem ser pouco instruídas, mas tem o saber mais importante de todos: da vida e da experiência. Para já não dizer que não há uma única alma em Trás-os-Montes que deseje o fim de linhas ferroviárias.
Virando-me agora para o Pinhão, mas mudando de assunto (embora o actual também desse pano para mangas). É de salutar que finalmente a iluminação da ponte esteja concretizada. Custou mais foi! Aparentemente, a iluminação de Natal é que mais uma vez fica na “gaveta”, é aliás recorrente nos últimos 3 ou 4 anos. Até se poderias sugerir que fossem as casas comerciais a financiar essa iluminação de Natal, como outrora sugeri, mas aceito e acredito que essas mesmas casas não estejam a atravessar o melhor momento económico.
Se a linha do Douro vai mesmo reabrir e se o objectivo não é transformar o Pinhão numa “quinta” deve-se imediatamente fazer alguma coisa para estimular a economia local e as casas comerciais da vila. E se mais ninguém o consegue deve ser a Junta de Freguesia a fazê-lo. Talvez de forma mais agressiva do que tem feito até agora, que é claramente muito pouco.
 
Luís Manuel Almeida
NR: Na próxima semana, provavelmente a ultima deste ano, farei um balanço sobre 2007, espero que seja o momento certo!
publicado por Luís Almeida às 18:00