Acabo de chegar do “Prós e Contras” da RTP1 onde esperava a intervenção do Dr. Artur Cascarejo, razão pela qual eu fui assistir ao programa. No dia em que Alijó veio até mim, não poderia dar razão aos que me apelidam de lisboetizado e estar ausente. Lá fui e deixo agora aqui algumas notas que me parecem pertinentes.

O formato do programa é interessante mas manifestamente insuficiente quando existem diversos interlocutores. Para que este formato funcionasse no caso da temática em análise, teria que se especificar um pouco mais o tema ou então optar por um diferente conjunto de convidados. Digo isto porque considero indecente que o Dr. Artur Cascarejo e o Engº Luís Azevedo tenham feito 400 km para não serem ouvidos. Pior foi o facto da produção do programa ter negado a presença de uma comitiva de Alijó à semelhança do que aconteceu com Anadia. Certamente se portariam com melhor educação e não passariam o tempo a insultar o Ministro, por muita razão que tivesse.

Questões técnicas à parte. Numa breve troca de palavras com os autarcas de Alijó tive oportunidade de confirmar a teoria que esteve na base da argumentação do Ministro da Saúde: números e estatística. Todos nós somos um número, uma estatística, uma percentagem e somos encarados dessa forma quando somos atendidos. Se formos muitos… temos tudo, se formos poucos não temos nada. Faltou no entanto dizer que o ministro está dotado dos números errados. São-lhe facultadas estatísticas erradas que advém de má organização dos serviços administrativos do ministério. É que raciocinar sobre números, inda mais sobre números errados é um completo disparate… que se agrava quando estão em jogo vidas humanas. E obviamente aprendemos na escola a manipular os números para que eles digam o que nós pretendemos. Aliás uma teoria que Artur Cascarejo iria defender se tivesse tido a palavra, bem como abordaria outras questões.

A verdade é que o debate enveredou por um caminho de análise às urgências e onde a situação de Alijó e demais concelhos que perderam os SAP deixaram de ter enquadramento. Compreensível, mas inaceitável dado que diversos autarcas não ouvidos, incluindo Alijó, fizeram a viagem em vão.

Na minha humilde opinião, a questão de fundo é a do desinvestimento. Há realidades locais que tem que ser atendidas de forma particular. O país caminha para um estado de desertificação interior grave e as medidas do governo apenas a acentua. Reforma será necessária, evidentemente, mas com pés e cabeça, para que acabem os cidadãos de primeira e de segunda classe deste país.

Para terminar gostava de salientar a arrogância com que o Ministro da Saúde se dirigiu ao bastonário da Ordem dos Médicos, atingindo por diversas vezes a má-educação. Lamentável para uma figura de estado. Também José Manuel Almeida na sua figura arrogante de “dono da razão” (nem eu sou assim tão arrogante) teve atitudes inqualificáveis e comentários impróprios ao dirigir-se ao bastonário da Ordem dos Médicos. Para já não referir que estes senhores arrastaram consigo os respectivos gabinetes e assessorias para fazer claque. Um “conjunto emperiquitado de damas e cavalheiros”, esses sim lisboetizados e desconhecedores de qualquer realidade que vá além da frente do seu nariz. São estas as atitudes que cavam diferenças entre os portugueses. Será no entanto de recordar que em Lisboa só há 2 milhões, no resto do país, são 8.

Concluo numa nota a Fátima Campos Ferreira. Alijó, tal como os restantes casos mediáticos convidados, fica no Norte e não no Centro. Pareceu que se quis dar a voz a câmaras PSD para criar um clima de tensão política com o governo PS. Pergunto onde está o carácter apartidário que tantas vezes foi defendido em nome deste programa.

 

Cidadão 12596403

(já que sou um número assino com o BI)

RESPOSTA AO SR. PRES. REPÙBLICA:  Na minha opinião, a saúde caminha para o caos, onde os lisboetas tem tudo, e no Pinhão tenho que esperar 15-25 minutos pela chegado do INEM, 20 minutos pa chegar ao SAP Alijó, trocar de ambulancia e depois mais 40 minutos até Vila Real. (talvez 42,5)