Aquilo que há muito se especulava, a estação ferroviária do Pinhão foi entregue aos privados. Mas se isso até nem podia ser muito negativo, já que poderia dinamizar o espaço, a parte pior é que paralelamente a REFER anunciou a centralização da gestão da linha do Douro no CCO de Contumil.

Que a REFER centralizaria a gestão de toda a rede em três ou quatro pontos já se sabia, só não se esperava que uma medida que, na nossa região, ainda envolve avultados custos, estivesse já “em cima da mesa”. Mas está! Paralelamente, a autarquia, Câmara de Alijó e Junta de Freguesia, depois da lamentável novela do Verão com Adérito Figueira no principal papel, acabaram por “deixar” um bem público de valioso de sobremaneira cair nas mãos dos privados.

Nada tenho contra o grupo Amorim, que até dinamizará um espaço até agora quase sempre encerrado e que o tempo degradaria muito em breve. Mas critico veementemente a Câmara e a Junta por depois de tanto alarido sobre o encerramento dos serviços, em particular da estação, não terem ficado com a gestão do espaço.

Evidentemente que o grupo detentor do espaço irá divulgar os seus serviços e produtos. A estação do Pinhão, reitero um bem público e um inegável ponto de atracção turística, servirá de veículo à promoção de uma das empresas presentes na região. Se fosse a Câmara e a Junta a dinamizar o espaço, todas as empresas poderiam estar representadas e o passageiro e turista teria a total noção dos produtos e das ofertas da região.

Mais uma vez reitero que do grupo Amorim só há que reconhecer a utilidade de uma empresa destas na região e como tal, aceito sem problema nenhum, na economia de mercado em que estamos inseridos, a sua posição e luta, que durou bastante, por este espaço. Mas novamente aquilo que a “gestão pública” ignora e considera sem potencial de rendimento é aproveitado pelo privado. E se o privado aproveita é porque há algo que vale a pena!

Estou triste por ver este tão importante edifício do Pinhão entregue desta forma, mas também contente por ver novamente a vida a regressar à estação. Há o vicio dos autarcas da região abrir largas passadeiras vermelhas aos privados… mas um dia pagarão a factura. Como tenho amplamente defendido, o investimento privado tem que existir e a região precisa dele. Mas também é preciso um controlo sobre ele por parte da gestão publica, que no Pinhão não existe! Perceba-se porquê…?!

 

Luís Manuel MA

publicado por Luís Almeida às 21:14