Estamos às portas de mais um verão. Altura por excelência em que o Douro é “invadido” por turistas. Os operadores do sector congratulam-se a cada ano com os números crescentes de procura. Mas que beneficio tiram as regiões desta aparente mina?

A questão é antiga, mas como ano após ano, nada é feito, também ano após ano me dou ao trabalho de recordar que o Douro tem a pretensão de viver do turismo e só nalgumas iluminadas mentes é que já vive do turismo. A verdade nua e crua é que não existem infra-estruturas de apoio ao turista ou que incitem o “consumo turístico” da região.

Vão-se vendo alguns, tímidos, passos do sector privado. A estação do Pinhão é um ponto positivo, apesar de discordar dos moldes com que tudo se passou. Mas será que chega?

Não! É preciso mais. De Lisboa e do Porto lançam-se acções de promoção que raramente resultam, talvez porque estas se alinhavam em consonância com outro tipo de acções para regiões infra-estruturalmente mais desenvolvidas. O tipo de abordagem do Douro não pode ser o mesmo do Al(l)garve. O Algarve tem desde há muitos anos as infra-estruturas para receber os turistas. O Douro profundo, e talvez o superficial também, não têm.

Ponto número um: o Douro, na verdadeira acepção da palavra não é o Porto. Promover um fim-de-semana no Douro, não é levar o turista às unidades hoteleiras do Porto. O Porto é a porta de entrada. E já que se falam em portas de entrada, continua a não se perceber porque no Douro se ignoram os espanhóis. Salamanca tem que ser a outra porta de entrada.

Ponto número dois: no Douro profundo é difícil o turista orientar-se. Grande parte do problema tem sido resolvido com o aparecimento de unidades hoteleiras de luxo e outras pela região. Tem-se colmatado o problema do número de camas. Mas vejamos, os analistas consideram que ainda não foi resolvido esse problema, por outro lado, alguns hotéis queixam das fracas ocupações.

A explicação para esta aparente contraditório é simples: considerando o potencial turístico da região, há ainda insuficiência de camas. No entanto estamos longe de atingir o número potencial de turistas. Os que vêem, raramente voltam: a paisagem é bonita, mas é só paisagem que pode ser fotografada ou filmada. Os que não vêem pensam duas vezes: pode tornar-se uma aventura escolher um bom sitio para ficar e ao mesmo tempo perto dos pontos de interesse da região, que ainda não foram sistematizados de forma adequada. Já para não dizer que ou traz carro ou fica circunscrito ao hotel e as suas iniciativas.

No Pinhão, em particular, é de estranhar a apreensão com que várias instituições públicas e privadas (não) olham para o turismo. Nunca se viu uma iniciativa conjunta dos empresários para definir politicas de captação de turismo nem os organismos públicos se esforçam por algo mais do que apenas disponibilizar os espaços a custo zero (o que nem sempre é correcto: as marinas no Pinhão, devem ser as únicas em todo o país que são gratuitas e tem disponível água potável e electricidade).

E a promoção turística de um local faz-se com mais do que acções viradas para o turismo, faz-se também pela promoção nacional e internacional de eventos de interesse sejam eles de cultura, desporto, entretenimento ou outros.

No Pinhão pouco ou nada se vê! Dirão os críticos, nos outros sítios também não! Atenção: o Pinhão é a maior freguesia ribeirinha da Região Demarcada do Douro definida como Património Mundial da Humanidade (a zona urbana da Régua ficou de fora).

Luís Manuel MA

publicado por Luís Almeida às 23:16