Nunca depositei grandes esperanças no futuro da nossa região. Não pela falta de potencial… mas pela gestão “corrente” a que tem sido votada nos últimos anos. Faz-se o que se pode e não o que se deveria fazer.
Afirmar que as condições de saúde do concelho de Alijó são agora melhores que antes do encerramento do SAP na sede de concelho, é verdade. Mas também é verdade que as estruturas que hoje temos se devem ao infortúnio que aconteceu no Castedo. Também é verdade que à data do encerramento, íamos mesmo ficar sem nada. Na altura “apenas” se reivindicou o mesmo e não a melhoria, qualquer que ela fosse. Antes de dizermos que o que hoje temos é mérito deste ou daquele, estudemos bem este dossier para não valorizarmos as pessoas ou factos errados.
O mesmo se passa com a estação do Pinhão. O edifício que reabrirá no Sábado, dirão, está com melhores condições e agora até tem o edifício de passageiros aberto durante mais tempo. Desde 2006 que apenas abria de manhã e até meio da tarde de segunda a sexta. Consegui-se que ele abra mais tempo, mas a troco de quê? A troco da entrega da exploração de um bem público, de valor incalculável, a uma entidade particular. Errado, de todo não é! Mas também não parecia ser a solução mais sensata. Era sem dúvida a mais barata. Na altura do encerramento pedia-se apenas a reabertura. Hoje vai-se ter mais do que isso… mas cuidado quando quisermos perceber a quem agradecer. E mesmo que acertemos, ele nos dirá que quando o lucro deixar de existir, não interessará manter a estação aberta.
O pouco de positivo, na leitura actual, que tem acontecido na região não se deve à visão estratégica e integrada de quem de direito, mas a um conjunto de circunstâncias: tristes no caso de Alijó, económicas no caso do Pinhão. Continua-se a não ver para além de cinco palmos de terra à frente do nariz. Com isso, sofre a região e a população, porque mandatos leva-os o tempo.
 
Deixo também uma nota para o 10º aniversário da Exposição dos Oceanos de 1998. Ganhou Portugal e ganhou Lisboa. Ganhou o país pelo know-how que adquiriu em várias vertentes e que agora vende um pouco por todo o mundo, também pela exposição mediática que o evento proporcionou por esse mundo, abrindo caminho à realização de outros grandes eventos. Ganhou Lisboa uma nova cara na sua zona oriental, profundamente degradada e que é agora ex-libris da cidade, preparando-se para ser a porta de entrada ocidental da Europa também ao nível da Alta Velocidade.
Parabéns a Portugal pelo evento em si, bem sucedido a todos os níveis, e Parabéns por se terem evitado os erros de Sevilha.
publicado por Luís Almeida às 22:50