O terceiro acidente, em menos de um ano, na Linha do Tua, a reviravolta dos autarcas, inclusivamente do de Mirandela e os horários não compatíveis com a linha do Douro são provas mais do que suficientes do “loby” que está instalado no Vale do Tua.
Está a esfriar a luta pela manutenção de uma vale do Tua virgem. É com profunda pena que vejo todos vergarem-se, sem luta, ao poderio da multinacional energética. Um conjunto de infelizes coincidências tem contribuído para o fim da linha do Tua.
Nunca em 100 anos de existência tinha havido um acidente na Linha do Tua. Em ano e meio são três que causaram vitimas a lamentar e o encerramento por mais de metade desse período do troço mais espectacular da linha. De uma forma repugnável, governo e empresas interessadas serviram-se desses acidentes para argumentar uma pseudo insegurança da linha.
Ora a insegurança que hoje se diz estar na Linha do Tua é provocada pelo desinteresse sucessivo das diversas administrações, quer da REFER, quer da CP. Durante anos esta linha viu apenas acções pontuais de manutenção, um pouco à semelhança do que acontece no Douro. Numa foi feita uma intervenção séria, à semelhança da Beira Alta, nunca se instalaram dispositivos de controlo de queda de pedras. Sim, as vitimas dos acidentes do Tua, poderiam ter sido evitadas. Mas o critério de aplicação de manutenção é frio: “são poucos passageiros, não justifica investimento.” Digo eu, os poucos que sejam, não são seres humanos, cidadãos portugueses e com direito às melhores condições possíveis no seu país?
Estes critérios tem-se alterado, mas não sei até que ponto para melhor. Recentemente foi feita uma vistoria à linha do Douro, na zona em que vai junto ao Douro, para se definir um plano de emergência em caso de acidentes. Foram convidados os bombeiros de todas as corporações, mas a do Pinhão ficou de fora. Também de fora desta inspecção ficou de fora o troço Pinhão – Pocinho.
Serão cidadãos de segunda, os que vivem além do Pinhão. A Secretária de Estado dos Transportes já disse que sim, ao referir no final do ano passado que o “interesse social” (??) da linha do Douro termina na Régua. Mas, pergunto eu, não será objectivo do governo facultar condições de igual acesso a zonas “socialmente” menos desfavorecidas? Mais recentemente o titular da pasta dos transportes referiu-se à linha do Tua, como sendo “complexa”! Eu ri… de tristeza ao ler essa noticias! Tenho a certeza absoluta que o Sr. Mário Lino nunca esteve no vale do Tua! Aliás duvido que tenha saído de Lisboa alguma vez. Talvez essa sua afirmação esteja ao nível das suas melhores “Alcochete Jamais” ou a “Margem Sul é um deserto”. Entre as três, o ponto comum de não perceber bem o que está a dizer. Corrigiu a tempo no caso do Aeroporto e da Margem Sul, espero a mesma lucidez para corrigir a tempo do Vale do Tua.
E porque também considero a barragem importante, eis a minha solução, que será certamente rotulada de “impensável”, “magalomana” e de outras coisas engraçadas. Na minha humilde opinião sugiro que se faça a barragem à cota que se quiser, mas que a linha do Tua seja reconvertida para via larga (preferencialmente bitola europeia ou então variável) e seja alteada de forma a evitar o novo leito do Tua. Vantagem: ganhava-se uma linha mais segura e mais rápida e ficavam verdadeiramente ligadas as cidades de Mirandela e Porto, quem sabe, também Bragança e Espanha numa segunda fase. A albufeira da nova barragem seria turisticamente explorada e rentável pela existência de um meio de transporte ao longo desta Desvantagem: Custo excessivo desta obra apesar do inegável interesse. Solução para colmatar desvantagens: Introduzir o empreendimento na construção da barragem, o que de certa forma já está com a introdução de um ponto referente à criação de alternativas à linha do Tua. Facultar a exploração turística, por concessão, à empresa detentora da barragem  com benefícios nas taxas de circulação (que numa linha nova são extremamente baixos por natureza) e a comercial à CP.
Afinal de contas o privado se tem interesse, tem que dar contrapartidas. Andamos nós a lesar o estado e agora não podemos pedir um pouco de esforço a um privado que lucrará em dois ou três anos o equivalente ao custo de uma nova linha. Socialmente acho que era inegável o ganho desta nova centralidade. Depois do eixo litoral, do eixo Lamego-Vila Real, criava-se um novo eixo que beneficiando da reabertura da linha do Douro a Salamanca ficaria extremamente perto do coração da Península Ibérica.
Megalómano, sim eu sei! Mas pensei lá bem nisto… e façam dois ou três estudos, sff!
 
Luís Manuel Almeida
publicado por Luís Almeida às 12:54