Em Portugal quem tem a ousadia de lembrar que o “rei vai nú” acaba por ficar marcado como o mau da fita. Como compreendo Vanessa Fernandes e só não compreendo porque é que se martiriza alguém que disse, e muito bem, a verdade sobre o que se passou com alguns atletas. Tenho, como é obvio, de deixar os meus sinceros PARABÉNS à Vanessa Fernandes e a Nelson Évora, como a todos os atletas portugueses que deram o seu máximo e não encontraram qualquer desculpa “esfarrapada” para justificar o não cumprimento dos seus mínimos… só a esses mesmos.
Mas voltando ao Douro, é impossível não referir a tragédia do Tua (mais uma). Razão mais do que suficiente para interromper a reflexão que iniciei na semana passada, mas que prometo retomar na próxima edição.
É inacreditável o desrespeito das entidades competentes sobre, em primeira análise os transmontanos, mas no fundo para com todos os portugueses, ao permitir que se criem suspeitas sobre uma alegada tentativa de sabotagem. E o relatório preliminar conhecido ontem ainda mais dúvidas lança ao referir que nem a infra-estrutura, nem o material circulante e nem erro humano estiveram na génese deste acidente.
Que Estado de Direito é este que permite os seus cidadãos sequer duvidar sobre se há mão criminosa ligada a interesses económicos.
Que fique claro que eu não estou a dizer que se encubra a verdade, se essa for a verdade. Mas eu nem quero imaginar que é disso que se trata. Seria um problema seríssimo. Talvez mais sério que a queda da ponte Hintze Ribeiro. Negligência é uma coisa extremamente grave e que deve ser severamente punida quando em risco estão vidas humanas. Negligência por motivos económicos não tem sequer lugar da minha escala tal é a atrocidade dessa possibilidade.
Uma última nota para o lacónico incidente diplomático (ou não) da Câmara de Alijó. António Figueira, actual vereador da Câmara, aparentemente em funções de presidente na ausência de Artur Cascarejo foi apresentado como Presidente da Câmara Municipal pelo Jornal Público. Interessante designação atendendo a que este senhor já ameaçou “bater com a porta”, já ameaçou a independência e aparentemente já foi mesmo convidado a afastar-se do topo do PS Alijó (por quem não sei, nem me interessa, nem quero saber: não é propriamente motivo de orgulho para o partido ou para o concelho estas trapalhadas internas). Parece que não foi preciso “chatear-se assim tanto” para ser indicado por um jornal nacional como Presidente da Câmara. Desconheço qualquer comunicado do PS ou da Câmara a corrigir a informação. (Antes que me corrijam, devo dizer que também vi muitos meios da comunicação a referirem-se como o presidente em exercício… menos mal).
Mas já agora pergunto que perceberá este senhor de ferrovia para tecer comentários sobre este assunto lançando suspeitas sobre a má manutenção da linha? Aparentemente a linha estava em bom estado, disse o relatório.
Já no ano passado houve incidente semelhante a propósito da estação do Pinhão e do lado da Câmara o protagonista foi o mesmo. Terá Adérito Figueira alguma coisa contra a REFER… é que num momento em que o Pinhão tem uma situação delicada na sua estação e a linha do Tua (que passa pelo concelho) pode estar a fechar não me parece aceitável “comprar guerras” desnecessárias com entidades públicas.
Eles lá sabem!
 
Luís Manuel Almeida
publicado por Luís Almeida às 10:53