A UTAD discute por estes dias Transportes e Mobilidade em cidades médias e territórios de baixa densidade, um tema que não poderia ser mais interessante à região e aos decisores locais.
No entanto e a julgar pelo primeiro dia (à hora que escrevo este texto o seminário ainda decorre) o tema tem sido praticamente passado ao lado. A presença de uma representante do DGOTDU acabou por levar a discussão para as sempre complexas discussões de planeamento.
Na minha opinião tem faltado a abordagem a casos práticos e exemplos claros da má qualidade de serviço de transporte público na região ou noutras similares, já que estão presentes representações vindas um pouco de todo o país. Acabou por sr o público a trazer à discussão esses casos com episódios de cancelamento de voos entre Lisboa e Vila Real sem apresentação de alternativas ou a linha do Douro.
É no entanto interessante constatar que dois ou três municípios já assimilaram a importância da mobilidade nos seus concelhos. E há de facto dois ou três desses municípios que estão anos-luz à frente nesta matéria pois já perceberam que um bom planeamento poupa milhões de euros em transportes e coloca os utentes satisfeitos. E neste lote de municípios o destaque vai inteirinho para a Câmara Municipal de Mirandela que se encontra marcadamente num patamar superior de entendimento da mobilidade. Nessa cidade transmontana a preocupação não é construir mas sim a intermodalidade de todos os modos disponíveis: ciclovias, autocarros e metropolitano.
Os municípios mais atrasados ainda não “perderam o comboio” tem agora uma oportunidade única de assimilar experiências e começarem a pensar integradamente ao invés da construção desenfreada e sem motivações para “apenas ter” este ou aquele meio de transporte.
Inevitavelmente terei que cair novamente no aeródromo da Chã, assunto trazido à discussão por uma técnica autárquica em representação da Câmara Municipal de Alijó. Num discurso em que interpelava a mesa, esta técnica acabou pró se contradizer. Primeiro com a aberrante afirmação de que o Douro “não vai longe com o turismo”. Gostava de saber quais as alternativas? E já agora como implementá-las! Mas mais tarde acaba por justificar esse aeródromo exactamente com o turismo. Então em que ficamos? Parece que nem a própria Câmara Municipal tem ideias claras sobre o assunto: por um lado não acredita no turismo, por outro refugia-se no turismo para justificar empreendimentos megalómanos. Gostava de conseguir desmontar o discurso proferido por essa técnica autárquica, mas depois de dormir sobre o assunto, confesso que não consigo. Terei que dormir mais…
E já agora em jeito de provocação, deixo a nota de que a Linha do Douro é “pouco” e os “barquinhos bonitos é pouco” talvez porque não passem por Alijó. Não me pareceu razoável que uma representante da Câmara de Alijó se referisse nestes termos a um dos principais motores da região. Compreendo a sua frustração e partilho-a em certos aspectos mas não me passa pela cabeça classificar planos como “tristes” ou capazes de me provocar “tristeza”. O “pouco” que temos só tem que se transformar em muito… e para isso é necessário um trabalho autárquico muito afincado e preciso… olhe-se o caso de Mirandela, perceba-se o que Sabrosa quer fazer
O seminário termina esta tarde, espero muito sinceramente que se produzam conclusões interessantes e úteis no apoio às entidades que actuam na região.
 
Luís Manuel Almeida
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publicado por Luís Almeida às 08:55