O Pinhão tem literalmente passado ao lado dos grandes programas de desenvolvimento estratégico lançados pelo governo. Descubram-se as causas, identifiquem-se os responsáveis e responsabilizem-se os que pouco ou nada tem feito para inverter esta situação.
Para meu espanto e certamente de muitos outros, um programa recente de apoio ao comércio tradicional que visava dotar este tipo de estabelecimentos de melhores condições para os seus clientes e para a sua actividade exclui à partida a vila do Pinhão. O programa é o MODCOM e no site do IAPMEI está toda a informação bem como a lista de freguesias predominantemente rurais, as únicas que se podem candidatar a estes programas. Curiosamente no concelho de Alijó as únicas freguesias que não se podem candidatar são Sanfins, Alijó e Pinhão. Se por um lado é um factor interessante o facto do Pinhão não ser considerada uma freguesia predominantemente rural, não deixa de ser um factor que descrimina a localidade e muitos empresários que poderiam beneficiar desta iniciativa. É que isto de títulos por mais positivos que sejam (e não sei se este é) tem duas desvantagens: nem sempre reflectem as reais condições do local e muitas vezes são utilizados para selecções pouco criteriosas, como foi neste caso. Será justo dizer que ao nível do comércio tradicional, todo o concelho de Alijó estará em dificuldades e até mesmo na sede de concelho, a presença das médias superfícies deverá ter provocados “estragos” que estas medidas governamentais poderiam colmatar.
Mas se neste programa especifico pouco ou nada há a fazer, um outro, lançado pela Secretária de Estado do Desporto o Pinhão poderia e deveria ter usufruído de algumas das vantagens. Neste caso trata-se de 6 medidas de apoio a estruturas desportivas em diversos níveis. Foi através deste programa que Alijó financiou a instalação do relvado sintético do Estádio Municipal (esta informação está no site da secretaria). Fico pois a perguntar-me porque razão não houve também uma candidatura semelhante por parte da vila do Pinhão. E faria todo o sentido porque politicamente foi uma bandeira eleitoral do actual executivo a construção de um pavilhão gimnodesportivo na zona do antigo campo de futebol. Por outro lado as obras que tiveram lugar na praia fluvial teriam certamente algum cabimento numa destas seis medidas. E já que a oportunidade não era de desperdiçar e se o gimnodesportivo será uma obra megalómana que apenas repete estruturas já existentes no concelho (segundo alguns pensamentos e ideologias pouco progressistas e que apenas existem neste concelho) estou certo que a melhoria das condições do antigo campo de futebol 11 do Pinhão seriam certamente um excelente investimento com uma sustentabilidade interessante.
Como fica claro, nesta matéria ideias até havia e certamente até apareceriam outras, dado que há gosto noutras modalidades e desportos, não se percebe porque é que o Pinhão ficou ao lado desta oportunidade e não se cumpriram promessas eleitorais gastando muito pouco do orçamento camarário ou da freguesia. Aliás, até se percebe. A politica continua a ser de centralização em torno de Alijó. Em breve serão conhecidas mais medidas que visam alimentar a futura cidade de Alijó (não tenham ilusões que não se chamará nem Favaios nem Sanfins) em detrimento de localidades com um interessante potencial. Mas em matéria de desporto talvez o Pinhão não se possa queixar, ouçamos talvez Pegarinhos.
 
Luís Manuel Almeida
 
Queria deixar uma nota pública de agradecimento àqueles que na passada segunda-feira se lembraram que acima de tudo é a amizade que conta, à parte de tudo o resto. Obrigado!
 
publicado por Luís Almeida às 13:20