Monopólio Preguiçoso

Ainda recentemente referi que ao Pinhão falta uma visão direccionada para o exterior, para o turismo como dinamizador económico e para a actractividade promovendo cultura e bem-estar social.

Mas talvez não me tenha feito entender claramente, de facto comecei pelo telhado e não pelas fundações. Pois bem!

Para o Pinhão poder olhar para fora de casa terá primeiro que arrumar as divisões internas e preparar caminho. Pretender uma afirmação regional e nacional implica uma máquina muito bem oleada entre portas. Mas falemos concretamente.

Já o referi e já vi Artur Cascarejo, em entrevista à RTPN dizer o mesmo, que o turismo no Pinhão não é mais do que as operadores chegarem e transferirem os seus clientes, de “olhos vendados” dos barcos para os comboios ou autocarros. Sinceramente, também o Pinhão pouco ou nada oferece. O entretenimento nocturno está muito limitado o que por si só implica um monopólio preguiçoso e as casas comerciais desde a restauração ao alojamento e venda a retalho estão encerradas nos picos de afluência. Não estou contra ninguém nem quero obrigar ninguém a trabalhar ao Domingo e Feriados. Mas, felizmente, o Pinhão ainda vai tendo, na maioria dos sectores, dois espaços comerciais diferentes pelo que a alternância de serviços aos fins-de-semana compensado com um descanso semanal, também rotativo entre segunda e sexta seria uma ideia curiosa e certamente compensadora para alguns espaços.

Depois há as questões de inovação, do meu conhecimento, apenas há um estabelecimento de vendas a fazer gestão de stocks por via informatizada e poucos ou nenhuns apostam na divulgação ou publicidade dos seus serviços ou produtos. É a tal história do monopólio preguiçoso, porque a concorrência é conhecida e limitada.

Finalmente, a questão porventura mais complicada, que é a atracção de investimento. Evidentemente que para uma área que se quer afirmar turística, o divertimento nocturno de vários modos deveria ser uma área a considerar. Há um esforço dos actuais responsáveis por este sector, existem festas temáticas, noite de DJ’s e até uma oferta mais recatada e calma que abrange várias faixas etárias. Mas podia haver mais. E talvez seja nesta área que o investimento seria mais bem-vindo na aposta de novos produtos e serviços. É que mesmo para aqueles que usam os serviços do Vintage, a actual diversão que este proporciona não é lá muito diversificada.

No entanto o investimento só será possível se houver razões para tal e aqui entra a dicotomia investimento-consumidor. Só haverá investimento mais forte e exterior se existirem consumidores, os consumidores só apareceram se existirem novos produtos, diferentes e com qualidade, estes novos produtos só aparecem se houver consumidores. Não é mais do que um ciclo que para ser eficiente terá que ter uma gestão muito cuidada e atenta e que é abrangente não só ao divertimento nocturno como a todas as áreas comerciais potencialmente interessantes ao produto turístico.

A não ser que a autarquia local queira desempenhar este papel, a solução para poder gerir eficazmente este ciclo e actuar de forma a estimular a economia local é a criação de uma associação de comerciantes que me atreveria dizer de controlo independente, pois quando são os comerciantes a pretender o fim da feira mensal, as coisas poderão não estar muito bem no seio dos empresários locais. É o tal monopólio preguiçoso!

É que a paisagem é muito bonita… mas já não chega!

Optei por falar da vertente económica associada ao comércio local, mas este não é o único grande problema a resolver para que se possa olhar seriamente para o futuro. Por exemplo, não se poderá pedir muito turismo e muitas pessoas se continuarmos a ter uma ponte rodoviária que não irá aguentar o peso de autocarros e transportes pesados (não esquecer que a Patinter tem um posto de recolha no Pinhão, bem como existem mais empresas transportadores de grandes dimensões e que são os grandes estimulantes da económica local) e adiar a construção de uma nova ponte para um longo prazo. È que além do Pinhão sofrerá Alijó! Portanto a problemática dos transportes é outro assunto curioso a ter que ser tratado rapidamente… mas deixo para outro texto para não ter que me alongar mais.

Até à próxima

 

Luís Manuel Almeida

(LEC ISTLisboa2006)

 

NOTA DE EDIÇÃO: Por motivos de saúde não me tem sido possível lançar os textos com a frequência que pretendia! A partir desta semana, cada novo texto será lançado à Sexta-feira à noite.

publicado por Luís Almeida às 12:40