Resolvi fazer uma pausa no ciclo de comentários “Começar pelo Principio” esta semana, mas que retomarei na próxima semana com os dois restantes textos a serem lançados Terça e Sexta-Feira.

E esta pausa deve-se à visita de José Sócrates a Trás-os-Montes. Não que o Primeiro-Ministro tivesse passado por Vila Real ou Alijó… mas porque anunciou projectos que pela sua abrangência influenciam o concelho de Alijó decisivamente.

Falo como é claro dos projectos rodoviários tais como a A4 de Amarante a Bragança, a A24 até Chaves e um itinerário complementar entre Amarante e a Régua, entre outros projectos. Parece evidente a vantagem destas estradas e a utilidade para o concelho de Alijó e vila do Pinhão. Fica o Porto muito mais perto, mas também Espanha.

Pomposamente, José Sócrates, lançou estes projectos sobre a insígnia “Acessibilidade para Trás-os-Montes”. Tudo muito bem até aqui, o problema é que a sua formação como engenheiro civil deveria tê-lo ensinado que acessibilidades não é meramente construir estradas e só e apenas resolver necessidades rodoviárias. Sem discutir a necessidade e a importância destes projectos só queria deixar claro que a nível ferroviário seriam interessantes algumas medidas semelhantes. Note-se que estamos a falar de uma região deprimida sem grandes verbas para automóveis, e mesmo sendo SCUT’s, há sempre o problema da escalada contínua da gasolina. Pelo que soluções ferroviárias e rodoviárias de transporte colectivo seriam paralelamente bem-vindas. Creio que neste caso particular não serão a existência ou não de portagens que irão determinar quem utiliza a auto-estrada, mas sim os custos com a própria viagem que como se sabe, em transporte colectivo, são mais reduzidos.

Não me parecendo então esta uma inicitaiva desprovida de algum tipo de aproveitamento, até pelo seu timming, fica a clara ideia que José Sícrates veio a Bragança dar auto-estradas em troca do encerramento de maternidades e SAP’s como hoje Correia de Campos insinuou em entrevista ao Jornal de Noticias.

Garantia o mesmo Correia de Campos, há uns tempos atrás, que se as estradas fossem boas, certos serviços de saúde seriam dispensáveis em alguns locais. Assim, com a A4 acredito que mais tarde ou mais cedo se venham a tornar inúteis alguns serviços no nordeste transmontano já que o Centro Hospitalar de Vila Real fica à distância de uma auto-estrada. E uma visão que eu espero, sinceramente, que não se concretize! Até oporque a saúde deve ser gratuita e acessível para todos, segundo a declaração dos Direitos Humanos e a nossa Constituição. E pergutnariam, como paragar uma saúde grátis para todos… a resposta é fácil, menos projectos megalómanos e cinjamo-nos apenas ao essencial (exemplos: TGV Lisboa-Madrid só e a penas em vez de ideias megalómanas apenas para termos o que os outros têm, já que o Alfa numa linha ferroviária devidamente preparada demora do Porto a Lisboa, 1h45m; outro exemplo: em vez de novos aeroportos, repartição de tráfego aéreo pela Portela e Alverca mas também por Francisco Sá Carneiro e Faro mas porque o novo aeroporto é necessário mais tarde ou mais cedo, pelo menos que seja em Lisboa e não a quase 70km do Marquês de Pombal)

Apesar de acreditar plenamente em José Sócrates receio que esteja rodeado de alguns ministros portadores de ideias duvidosas. Mário Lino, Ministro dos Transportes é um dos casos. Até penso que se deveria mudar o nome do ministério para “Ministério das Estradas e Anti-Ferrovias com excepção do TGV”. Note-se que este Ministro suspendeu todo o financiamento para a remodelação das linhas ferroviárias de Portugal, Douro incluída, mas também a Linha do Norte (Porto-Lisboa) provavelmente para que não tivéssemos a certeza que o TGV Porto-Lisboa é capricho de alguns senhores; ou se preferirem o recente anúncio de encerramento de algumas linhas de modo a trucidar completamente a nossa, já amputada, rede ferroviária.

É que este país pode ter soluções possíveis para crescer e desenvolver que não passam pelo encerramento de serviços cegamente, agora é preciso pessoas trabalhadoras, empreendedoras, criativas e inteligentes. E, felizmente, o nosso país, tem-las embora muitas vezes não se lhes dê o devido valor.

Luís Manuel Almeida

(LEC IST2006 Lisboa)

publicado por Luís Almeida às 13:48