CULTURA, DESPORTO E EDUCAÇÃO

Transportes, Economia local e associação comercial e agora cultura, educação e desporto. São estes os principais pilares de qualquer grande cidade e que na devida escala serão os necessários para empurrar definitivamente o Pinhão para o século XXI de afirmação local e nacional.

A Junta de Freguesia do Pinhão assumiu na administração de Lúcia Cerca, o papel principal na cultura local produzindo com os jovens e entidades locais espectáculos musicais, provas desportivas e todo um conjunto de eventos destinados à estimulação cultural da vila. A actual administração de Pedro Perry assume um papel mais comedido centrando-se sobretudo no apoio logístico e incentivo de manifestações culturais que partam de entidades locais ou habitantes. Duas politicas diferentes, apesar do mesmo partido e da continuidade que se pretendeu impor. Admitindo que o bem-estar financeiro da freguesia pode já não ser o mais adequado acabam por ser decisões políticas perfeitamente aceitáveis e, no fundo, reflectoras de tempos em que se (deveria) privilegiar a iniciativa de entidades que não o Estado.

Mas o objectivo do texto não é apontar defeitos ou virtudes ou criticar políticas na área cultural, apenas chamar a atenção que o Pinhão, centro geográfico da região demarcada do Douro Vinhateiro (a mais antiga de todo o mundo) e inserido na mancha de Património Mundial não tem um evento cultural que evoque estes títulos e que os comemore com a população e visitantes.

Estão anunciados dois desejos, a recuperação da Casa do Povo como espaço para espectáculos (agora adiado devido à instalação do GTL) e a construção da sede da junta da qual figurará um auditório (projecto que carece de verbas). Restam duas “salas” de espectáculos, o Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários que acaba por ser um improvisamento de uma sala de espectáculos pois foi construído para as reuniões e actividades dessa colectividade e não para receber eventos culturais de grande dimensão logística e o polivalente praia que apesar das excelentes condições backstage tem o inconveniente de ser ao ar livre e evidentemente sem grandes condições para o público em certos tipos de eventos.

O Pinhão, carece pois, na área cultural de uma infra-estrutura adequada mas também de ideias, projectos e acções concretas. O rancho folclórico poderá ter sido o primeiro suspiro de mudança, mas carece-se de ventos mais fortes. O teatro, tão apreciado no Pinhão, desapareceu há muitos, muitos anos e o cinema amador que alguns jovens foram fazendo, apesar de colmatar essa falha acabou por chegar a um ponto em que a qualidade significava uma estrutura própria e um pouco mais do que a designação de “projecto sem fins lucrativos”. Existe o problema de fundo que são as estruturas físicas, mas é necessário promover estruturas logísticas, desde um gabinete cultural na junta de freguesia até um grupo de teatro ou associação cultural definitivamente eficaz. Todos recordam que outras tentativas foram pelo esgoto abaixo… perceba-se porquê!

No desporto, as glórias do Sporting Clube Pinhão, estão na memória de muitos, e sobretudo dos jovens. Pode não haver condições para reactivar o clube de futebol de 11, mas o campeonato de futsal era uma boa solução. Não temos polidesportivo, mas teremos e enquanto não vier, certamente que Alijó não negará o empréstimo. Isto porque quando existem os talentos as dificuldades ultrapassam-se, e que alegria dá perceber que os jovens pinhoenses espalhados pelos clubes da região estariam dispostos a abdicar de certas mordomias para ingressar no Sporting Clube do Pinhão nem que fosse só no futsal. Mas que dor ao perceber que ninguém dá o passo em frente para reactivar esta colectividade desportiva que tantas alegrias deu à vila e que eu recordo muito vagamente dos domingos à tarde de futebol. Mas não só o futebol, foi falado na campanha eleitoral no Pavilhão Gimnodesportivo no Pinhão com piscinas, pode ser (e creio ser) uma opção utópica a curto prazo, mas nós temos o Douro. Recortes de jornal não escondem que o Pinhão é a par de Mirandela um dos melhores locais da Europa para a prática de Jet Sky e outros desportos náuticos. É pois necessário um apoio incondicional ao Clube Pinhoense para que possa garantir uma prova nacional, pelo menos, como foi durante 2 anos consecutivos. É preciso por o Pinhão nesta rota. Mas também a formação, o Clube Pinhoense, com os apoios correctos, poderia formar jovens não só do Pinhão, mas do concelho em algumas modalidadas praticáveis no Douro, à semelhança do que fez durante alguns anos. E evidentemente a criação de uma prova desportiva logisticamente suportada por esta colectividade de forma a vincar a importância do rio para o Pinhão e para a região. Admito que faltem os apoios, mas não podemos desistir e saúdam-se evidentemente os eventos de todo-o-terreno.

Finalmente, a Educação, a construção da EB 2,3 deu uma dinamização que há muito o Pinhão perdera. Infelizmente os alunos têm diminuído perigosamente procedendo-se agora a uma centralização dos serviços no novo edifício com o evidente objectivo de garantir a continuidade da escola. Mas também aqui, o procedimento é cíclico, isto é, se a economia local for rentabilizada há mais emprego e investimentos, as pessoas vêm comprar e acabam por estabilizar, se a rede de transportes for boa é mais fácil as pessoas viram ao Pinhão e utilizarem os serviços locais por consequência haverá mais movimento e indivíduos que até considerarão este um bom sítio para viver acabando por ficar e construir família, por consequência natural serviços escolares estarão assegurados com um número aceitável de alunos.

Evidentemente este processo não ocorre de um dia para o outro, mas é preciso começar por algum lado… eu sugiro que se comece pelo principio…!

publicado por Luís Almeida às 13:15