Depois de uma pausa dominada pelo ciclo de reflexões subordinado ao tema “Começar pelo Principio” retomo a minha a minha habitual análise da vida social, politica e económica do Pinhão e do concelho de Alijó.

Para hoje trago um assunto que muita polémica tem causado em Portugal: o encerramento das maternidades e serviços de saúde.

Sob a fachada de uma reorganização necessária neste sector, este governo tem aplicado uma política que parece baseada no facto de que se não está em Lisboa então fecha. Pagam-se impostos e contribuições, descontam-se maquias avultadas, tudo para que o Estado funcione. Em troca este mesmo Estado nega-nos aquilo que a Constituição e a Declaração Universal dos Direitos Humanos refere como sendo primordial: a saúde. Já não bastavam o disparo das taxas moderadoras ou o facto de termos que pagar cada exame que se faça nos hospitais, agora temos uma desertificação em equipamentos de saúde com o único critério que parece atravessar todos os casos: está longe de Lisboa, então fecha. Nem quero ver quando chegarem aos centros de saúde e respectivas extensões.

Mas falando concretamente do caso das maternidades. Foi estabelecido um patamar mínimo de 1500 nascimentos/ano. É lamentável ver as coisas por este prisma, é repugnante brincar assim com a saúde das pessoas e dos bebés. Até porque é a maior maternidade do país, Alfredo a Costa, uma das poucas que ultrapassa este número mas não por muito.

Depois vem a história das acessibilidades, se a rede de auto-estradas for boa, então não há problema. È repugnante este argumento. Em qualquer país do mundo uma auto-estrada e boas acessibilidades são sinónimos de desenvolvimento e criação e acesso de novos serviços. Em Portugal a construção da A4, por exemplo, vai fazer com que as maternidades do nordeste transmontano estejam em excesso e a A24 vai trucidar a maternidade de Lamego. Mas que brincadeira é esta! Auto-estradas em troca de saúde!? Foi com este argumento que José Sócrates evitou a contestação vincada na sua visita a Bragança.

Um pouco à margem deste assunto mas na temática dos equipamentos soube-se esta semana que o concurso público para a nova Pousada da juventude foi aberto. Aqueles que durante anos duvidaram da possibilidade deste projecto engasgam-se agora nas críticas precipitadas. Li algures por aí que a ideia de uma descentralização de projectos deste tipo poderia fomentar uma maior mobilidade e dinamismo no concelho e que Casal de Loivos seria uma excelente localização pela paisagem e proximidade da estação de comboios e cais fluvial do Pinhão. Para este projecto tal não irá acontecer mas de facto, e isso será assunto de reflexão em breve neste blog, Alijó está a concentrar muitas áreas monopolizando e condicionando alguns eventos noutras localidades em prol de um objectivo que considero, a curto prazo, inexequível.

E assim vai o nosso país, um país onde se troca saúde por auto-estradas e onde a politica local tem uma certa precipitação de opinião.

Ate para a semana!

publicado por Luís Almeida às 13:16