Era nestas alturas que gostava que os críticos, que dizem que nada faço além de estar 24 horas por dia no computador, tivessem razão. Como já é facilmente perceptível não pude lançar o texto da semana passada e mesmo o site pinhão.com.sapo.pt ficou um pouco desguarnecido em alguns dias. Tal deve-se à carga de trabalho que tenho tido neste último mês e a um projecto que me tem consumido também as horas livres.

Mas deixemo-nos de explicações e passemos ao que realmente interessa, o tema que escolhi para esta semana: o orgulho de ser português!

De facto sempre fui um entusiasta convicto do meu país e das potencialidades que ele tem. Sempre me senti orgulhoso perante a minha bandeira e emocionado ao ouvir o hino nacional. Arrepia… para além de ser um dos hinos mais bonitos do mundo! Portugal é o meu país e identifico-me 100% com ele. Num mundo cada vez mais globalizado tento fazer a minha parte impedindo que, por exemplo, no que me diz respeito, me deixe consumir pela tentação de falar o Inglês. Tenho abdicado de certas idas à biblioteca exactamente por isso. Não porque não domine o inglês, felizmente tive uma excelente professora a quem ainda hoje agradeço a minha fluência e vocabulário nessa língua, mas porque considero que o português deve ser sempre a nossa língua. Afinal de contas são mais de 100 milhões de falantes e é a 6ª língua mais falada.

A minha bandeira está na janela, estou com a Selecção Nacional na Alemanha, como estarei e estive com muitos outros representantes do nosso país em qualquer área do desporto à cultura e à política, passando pela investigação. Sinto-me parte deste país e orgulho-me de ser português.

Mas tudo isto para apresentar o contraponto. Paralelamente ao meu orgulho nacional tenho que mostrar que me mostro insatisfeito com as opções políticas que tenho visto tomar nestes últimos meses. Sem querer atirar completamente para o charco o governo Sócrates porque, e é preciso dizê-lo, há muitas coisas boas, não posso ficar indiferente às mais recentes polémicas nacionais.

Uma tem que ver com as maternidades. Se Barcelos não me choca, Elvas deixa-me perplexo. Como é possível que um cidadão português tenha que ir nascer a Espanha. Argumenta-se facilmente com as facilidades de pertença à União Europeia, mas que me lembre nós ainda somos independentes e a duvidosa ideia da federação europeia está longe de ser concretizada. Por isso os portugueses devem nascer em Portugal. É que o critério, cego, que foi estabelecido é cumprido muito à risca pela Alfredo da Costa, que dizer do mundo rural ou cidades mais interiores. É impensável e inacreditável que se usem o mesmo peso para medidas tão diferentes. Mas a questão de fundo que mais me faz matutar é a de que a saúde já não é um direito de cada um mas eventualmente um luxo que só alguns poderão usufruir. No meu dicionário, racionar ou reordenar não é sinónimo de encerramentos e maus serviços. Creio que esta trapalhada deu já os seus frutos com os falecimentos de bebés…

A outra situação que também me preocupa é da tempestade de granizo que destruiu as terras de centenas de agricultores durienses. A par da cortiça, o vinho não só é uma referência do nosso país por esse mundo mas também um dos produtos de maior exportação. É que agora com o encerramento da General Motors e outros que inevitavelmente se seguirão, é importante que comecemos a dar definitivamente valor aos nossos produtos genuínos e que podem segurar a nossa economia. Mas voltando à tempestade, a única coisa positiva foi ver o Ministro sair do seu gabinete e vir ao Douro. De resto os apoios foi o que se viu e não será (apenas) o cálcio que fará estes agricultores recuperarem o que perderam. Lamentável que ajuda não tenha sido mais efectiva a uma zona do país onde há mais dificuldades na execução desta actividade.

Não posso, no entanto, terminar sem mostrar o meu repúdio às arrogantes afirmações que Mário Ferreira, da Douro Azul, proferiu ao Diário de Noticias em que culpa os agricultores da tragédia que se abateu sobre o Douro. Diz-se ele um defensor da região mas não perde uma oportunidade para rebaixar ainda mais as nossas gentes esquecendo-se de onde vem o dinheiro que o levará à lua. Lamentável que senhores desta posição e influência sejam tão pouco comedidos em afirmações à imprensa. Felizmente que os durienses não são assim…

Bem, mas tudo isto para concluir que me orgulho plenamente deste país e desta cultura mas que por vezes dói ver como são conduzidas certas coisas.

Força Portugal!

Luís Almeida

(MSc Engª Civil ISTLisboa2006)

sinto-me: Força Portugal
publicado por Luís Almeida às 01:42