PATRIMÓNIO PARA INGLÊS VER...


É com alguma preocupação e apreensão que tenho seguido o desenrolar de notícias sobre a fragilidade do título de Património Mundial na região duriense.


O que é certo é que já lá vão 5 anos desde a distinção e não se vislumbram quaisquer alterações conjunturais. As carências económicas mantêm-se e agudizam-se, a interioridade torna-se um monstro cada vez maior e a desertificação uma iminente certeza. Como prova da "excelente" forma como as coisas se têm passado estão as próprias placas de sinalização da região que nunca apareceram e se por acaso existem estão muito bem escondidadas. Aliás, noticiamos essa polémica através do site recentemente.


Mas neste momento a situação prende-se com uma possível repreensão da UNESCO pelo facto de não existir um organismo supramunicipal que execute a gestão do Douro Património Mundial, já que a hipótese de desclassificação da região parece, para já, estar afastada. No entanto a própria UNESCO já terá dado indicações de estar descontente com o modo como as coisas estão a ser feitas, ou talvez, como "não" estarão a ser feitas.


O GTI, Gabinete Técnico Intermunicipal, o órgão gestor criado aquando da classificação como Património Mundial extinguiu-se à cerca de um ano por terem acabado os fundos comunitários. O Douro Património Mundial está ao "Deus dará" sem qualquer gestão ou fiscalização dos principais critérios que asseguraram a classificação em 2001.


Há uma restia de esperança com o renascer da AMTAD, Associação Municipios Trás-os-Montes e Alto Douro, mas "ver para crer". Todos parecem estar unidos em volta de projectos magalómanos como o Douro Marina Hotel que desfigurará todo vale da Rede às portas da demarcação pombalina do Douro e parecem ter esquecido que o retorno económico-social de uma classificação dado pela UNESCO poderá ser milhões e milhões de euros superior ao de um resort de luxo.


Parece-me haver um certo enviesamento de prioridades e um esquecimento à "sombra de uma bananeira" do título de Património Mundial. Boicotes e manifestos não me parecem ser a solução. Falta gente que trabalhe em prol da nossa terra. Nos últimos anos temos entregue a nossa terra a "estrangeiros" que têm aproveitado todos os seus recursos em beneficios próprios, como vai sendo exemplo daquela famosa agência de viagens no Douro. Está na altura de se levantar aqueles que realmente amam esta terra, este sol e estas vinhas e tomar as rédeas. É preciso muito trabalho mas este só será eficaz se amarmos verdadeiramente o que defendemos. Não se pode correr sequer o risco de perder o título de Património Mundial da Humanidade.


Mãos à obra...


 


Luís Almeida


LECIST2006

publicado por Luís Almeida às 23:42