Aterro no meu blog assoberbado por questões que me vão tirar o sono nos próximos dias.

Mas antes de me iniciar da dissecação dos assuntos que pretendo permitam-me que felicite a Comissão de Festas de 2006 que, no Pinhão e dadas as adversidades que se lhes colocaram, souberam sair por cima de uma situação difícil e proporcionarem aos locais as festividades de homenagem a Nossa Senhora da Conceição. Pessoalmente gostava de deixar claro que a procissão de Domingo figura no meu top ten das procissões já feitas no Pinhão. Embora considere “perigoso” o facto de se terem abolido as bilheteiras este ano não posso deixar de referir que se fez o possível e que estão de parabéns pelo trabalho efectuado em tão árduas condições.

Mas aterro hoje aqui, depois de uma pausa que se deveu a problemas pessoais, amedrontado pela possibilidade de encerramento da Escola EB 2,3 do Pinhão no limite de dois anos. Tal rumor circula no Pinhão e advém provavelmente dos cenários técnicos que estão na base da Carta Educativa de Alijó e que o blog dos Vereadores do PSD divulgou parcialmente esta semana. Sabe-se que foram propostos três cenários em que um deles apenas admitia uma escola de ensino básico de 2º e 3º ciclo a situar em Alijó. A Carta Educativa debatida há já alguns meses na Assembleia não se baseava nesse cenário mantendo as actuais infra-estruturas escolares do Pinhão. De facto, os estudos demográficos, com uma precisão milimétrica, feitos no âmbito deste processo evidenciam a clara tendência de queda de alunos oriundos do Pinhão mas salientam claramente que esta localidade, por si só, consegue posicionar-se atrás de Alijó, Sanfins e Favaios. Evidentemente que se forem adicionados os alunos de Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas, Casal de Loivos e Cotas, o Pinhão fica só mesmo atrás de Alijó em procura potencial.

Se se trata só mesmo de uma decisão politica, como se ouve nos corredores, encerrar a escola do Pinhão será o exemplo claro da atrofia que se tenta implementar sobre esta vila. Há recentes exemplos claros em que o Pinhão tem sido renegado para segundo plano por questões economicistas ou políticas quando se sabe perfeitamente que esta é a única vila do concelho com potencial de crescimento.

Desafio mesmo aqueles a quem tal compete ou estejam interessados a lançar um estudo de crescimento potencial para as mais importantes vilas da região e a perceber onde se poderão dar os “booms” de desenvolvimento se forem tomadas as medidas certas. A resposta só não e clara para quem não quer ver. Os regionalismos parvos é que por vezes turvam visões e condições de desenvolvimento que afectariam muito mais do que uma localidade.

Mas voltando a questão das escolas novamente, gostava de terminar deixando aqui a ideia que tantas vezes referi. Se o objectivo é uma reorganização eficaz então deve-se alargar os horizontes fora do concelho. O Pinhão está na fronteira com Sabrosa e deste concelho podem e devem chegar à EB2,3 alunos de Gouvães, Chanceleiros ou Covas do Douro. E tal pode acontecer porque lhes fica mais perto e menos incomodativo ir para o Pinhão do que para Sabrosa. Tal como muitos alunos preferirão a Régua ao invés de Alijó, ou muito pior, abandonarão mesmo a região. Aliás essa é a tendência. Dizer que as procuras potenciais são baseadas em estudos demográficos em pura mentira. Um estudo demográfico envolve muito mais conhecimento do que o simples número de alunos para uma escola com precisão de unidade. Aliás… há muitos outros factores que contribuem para a escolha da escola. Como se sabe a escolha da escola é agora facultativa não havendo restrição regional… evidentemente o aluno vai para onde se sentir melhor.

Se o Pinhão fizer os seus alunos sentirem-se melhor do que noutras localidade porque não apostar definitivamente no Pinhão como o segundo pólo.

Mas essa questão da actractividade é uma questão de carácter cíclico que já abordei, em jeito de tese e teoria, nos textos “Começar pelo Principio I a IV” pelo que remeto para esses os meus argumentos… sob pena de me tornar demasiado extenso.

Nós temos potencial e toda a gente já o percebeu… só não o querem é aceitar e fazem tudo para nos atirar no charco…

 

Luís Almeida

MSc-pb Ciências Engenharia

IST Lisboa 2006

publicado por Luís Almeida às 00:23