São quentes os assuntos que prometiam aquecer os próximos meses mas a promessa das férias deixou arrefecer lutas que em Setembro serão tardias.

Chegamos a Agosto ensombrados com o encerramento das escolas do Pinhão com o fraco argumento de que outras, em vilas maiores e com mais alunos, terão o mesmo fado. Chegamos a Agosto com a promessa que a 31 deste mês o Pinhão sairá do isolamento a que tem sido votado pelo encerramento da ponte rodoviária. Chegamos a Agosto sabendo que nenhum aluno dos que este ano concluíram o 9º ano de escolaridade na EB 2,3 do Pinhão irá ficar no concelho ou na Régua a prosseguir estudos. Chegamos a Agosto com a certeza de que o Pinhão vai parar no tempo e vai ver escapar-se pelas mãos, quais grãos de areia, todas as conquistas que outrora levaram o suor de tão brava gente.

Mas mais grave do que todos estes factores é a apatia e resignação que caiu sobre as nossas gentes. Nas ruas a alegria de outrora deu lugar a rostos pesados e olhando o chão. As tão quentes noites de Verão passadas na praia fluvial não vêm agora mais do que um punhado de pessoas discutindo o futuro dos filhos que não terão a escola e definindo quando e como se irão mudar.

Percebo e compreendo o sentimento desta gente. É inconcebível viver com o mínimo de qualidade de vida, em pleno século XXI, sabendo que o filho tem que se levantar às 6 da madrugada para ir para a escola de Alijó, sabendo que se quiser ir à Régua ou a Lisboa terá que esperar que o ferry se “digne” a atravessar as margens, sabendo que os correios perderam a eficiência de outrora e que mesmo a banda larga é um luxo muito… muito recente e cujo incentivo à utilização simplesmente não existe.

As novas tecnologias que o Engº Sócrates, o primeiro-ministro que é natural de Vilar de Maçada, sim, no concelho de Alijó, tanto apregoa deveriam ser o motor de uma vila que agora mais que nunca tem o turismo e as suas consequências para se agarrar ao futuro. Mas ao invés vê-se um computador público que já teve melhores dias, o único edifício do povo ocupado por um gabinete que lança projectos ao ar sem garantias de concretização. As mesmas garantias dadas aquando a sua constituição e agora goradas… um ano depois. Vê-se uma zona fluvial única em todo o rio Douro onde uma ligação Wireless (tão fácil de encontrar e que a PT coloca a preço quase nulo) não existe. Vê-se a economia a arrastar-se como pode para sobreviver às múltiplas estocadas que erros, sabe-se lá de quem, provocaram no passado.

Por motivos de saúde estive longe, fisicamente, do Pinhão e agora que regresso, meio ano depois, as pessoas estão tristes e uma contínua massa cinzenta parece pairar sobre a localidade.

Para Setembro e os difíceis meses que se seguirão peço que todos nos unamos sob pena de vermos o Pinhão cair nas trevas da desertificação de tal forma irreversível que transformarão esta tão promissora e potencial vila numa quinta… mais uma.

Contemos uns com os outros para o evitar…

Até Setembro!

 

Luís Manuel Almeida

MsC Ciências Engenharia

IST-UTL Lisboa 2006

 

publicado por Luís Almeida às 23:52