Outrora d’Ouro o vale por onde o nosso rio corre parece agora envolto em penumbra.
Dirá quem me visita que eu só falo de desgraças… qual Velho do Restelo. Agoirento… talvez arrogante como muitos, injustamente, me vão rotulando.
A verdade é que o cenário não é muito animador para os próximos anos tal como tinha deixado no ar na minha última intervenção antes das férias. Talvez agora ofuscados pelas comemorações do ducentésimo quinquagésimo aniversário da demarcação do Douro possamos ignorar certos problemas. Meu conselho: “É melhor não!”
E posso começar exactamente por essas comemorações. Sinceramente não analisei cuidadosamente todo o programa, repare-se que se estende durante 4 meses, mas fiquei já com a ideia mais ou menos clara que se tratam de comemorações demasiado elitistas “devidamente” afastadas daqueles que realmente contribuíram para a criação de tão próspera e promissora região. Dir-me-ão aqueles que controlam todas as minhas vírgulas que há diversos eventos acessíveis… estou certo que sim! Embora não me posso deixar de questionar sobre o enquadramento de concertos de Jazz ou de música islâmica no âmbito deste evento. Por mais interessantes, que são e eu aprecio, este tipo de eventos dá a sensação que se tentou atulhar um programa apressadamente composto com 9 meses de atraso. Há muitos anos que o ano civil começa em Janeiro… Ainda sobre este tema fico perplexo ao perceber que o Pinhão, recorde-se o Centro Geográfico da Região Demarcada do Douro, está fora dos grandes eventos das comemorações. Encontrei até agora uma prova de atletismo e uma recepção a enviados da Xunta da Galicia e da CCDR-N mas cujo programa cultural do dia decorrerá em Sabrosa. E para atiçar mais a conversa, já que pairam preocupações sobre a que concelho pertence o Pinhão, os programadores tiverem o cuidado de escrever no cartaz “Pinhão/Alijó”.
José Sócrates esteve no Douro para abrir as comemorações e anunciou mais medidas…no papel. Recordo que Durão Barroso fez o mesmo aprovando uma Resolução de Conselho de Ministros poucos dias antes de zarpar para Bruxelas onde previa uma série de intervenções, algumas curiosas. Por exemplo, a linha do Douro até Salamanca, vários museus e estruturas hoteleiras… enfim um manancial de desenvolvimento que não conheceu mais nada além das folhas A4 que serviram para a sua impressão. José Sócrates, natural do concelho de Alijó, trouxe de Lisboa medidas realmente ousadas e frutíferas se aplicadas e efectivadas.
Sabe-se que as gentes do Douro nunca voltam as costas a um desafio e a prova está na região que construíram com o seu suor, trabalho e determinação. O atraso da mais proeminente região portuguesa deve ao poder central e, por vezes, autárquico que sistematicamente aponta aos joelhos daqueles, poucos, empreendedores que ainda não desistiram do Douro.
A ver vamos se é desta até porque sabiamente Sócrates disse “Resta salvar o Douro”. Quatro palavras que chegam para perceber que o nosso primeiro sabe o que o Douro pode ser para este país. Fica o apelo para que Lisboa nos dê um empurrãozinho e não permita, por exemplo, que Bruxelas arrase as vinhas como é a sua pretensão e motivo da visita da comissária europeia à nossa região.
Até p’ra semana… para já às Sextas até que surja algo mais aliciante para fazer!
 
Luís Manuel
MsC Ciências Engenharia
Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa
publicado por Luís Almeida às 22:04