Há já algum tempo que se impunha uma discussão sobre a juventude. Se bem que o tema ainda não esteja lançado no seu expoente vai-se discutindo aquele que deve ser um dos pilares mais sólidos de qualquer cidadão e que se constrói na juventude: a educação.
Bem… se calhar preferia abordar o tema dos jovens sobre outro ponto de vista mas a sociedade o que discute é as escolas. Assim seja.
Preocupados com as lacunas matemáticas e a tardia motivação para a aprendizagem de uma língua, que nem é opção mas imposição, os nossos governantes acabam por esquecer o bem-estar dos jovens e o lado humano que estes devem igualmente construir.
O Pinhão parece ter evitado o encerramento das escolas este ano embora não se livre de tal aquando o próximo concurso de professores. Argumento aliás referido para tal decisão, levando-nos a questionar a validade/utilidade de outros argumentos utilizados para justificar o encerramento. Talvez a escola do Pinhão não tenha o peso financeiro que muitos lhe atribuem e o seu encerramento não passe de um capricho de alguns para evitar e/ou justificar outros encerramentos. Mas esta é outra conversa.
Regressando ao lado humano, que tipo de jovens queremos que nos liderem de futuro? Aqueles que se levantam às 6h da manhã desde os 6 anos e regressam a casa às 19h! Esses jovens que se habituarão a viver sem os pais, sem a localidade que os viu crescer e onde se sentem bem, esses jovens que não terão laços à sua terra e muito menos à da sua escola e que mais tarde, assim que possam, fugirão para as metrópoles. Esses jovens que estarão completamente aptos nos números e línguas estrangeiras, admitindo que as medidas tomadas funcionarão, mas que socialmente serão eternos estranhos.
Perguntar-se-ão os meus atentos leitores onde quero chegar!? Responderei convictamente que as acções actualmente implementadas… a suposta reorganização do ensino… apenas servirá para quebrar os laços de muitos jovens e em tenra idade os expor a situações para as quais não estão preparados.
Falando em concreto… a Escola EB 2,3 do Pinhão pode ter sido um erro em matéria de necessidade/utilidade do equipamento, foi certamente bandeira de campanha de outras eleições. Agora destitui-la e encerrá-la é um erro crasso. Trata-se de um equipamento público com apenas 13 anos com melhores condições que milhares de outras escolas secundárias. Com uma organização moderna e leve retratando aquilo que devia ser o ensino português. Mas mais do que isso… se esta suposta reorganização o fosse no verdadeiro termo da palavra, os alunos de Gouvães, Chanceleiros e Covas era para o Pinhão que deveriam ir e não para Sabrosa. A ministra da educação lançou os municípios e as escolas do interior numa “luta de galos” para ver quem ficava com mais alunos. Não chega justificar o encerramento com o argumento de que a escola vizinha com mais alunos também vai encerrar. Os pinhoenses merecem uma explicação melhor… merecem mais e sobretudo não merecem pagar pelos erros cometidos em campanhas eleitorais desvairadas.
Pela linha de pensamento que expus se vê que é muito redutor falar-se em juventude em Portugal… quase sempre acabamos a falar de educação e reformas sucessivas da mesma.
Só para concluir, e simultaneamente fugir à educação centrando-me na juventude, deixar a nota que é gritante em todo o país o desinteresse pelo associativismo juvenil e a falta de iniciativas encetadas por jovens. No nosso concelho em particular se nota um afastamento grave destas actividades. Inclusivamente nas estruturas partidárias dominantes a Juventude Socialista e Social-Democrata estão votadas a uma inépcia dramática. As actividades inerentes e que, por estatutos internos, são inerentes a este tipo de grupos simplesmente não têm, na actualidade, significado… quer dizer… pura e simplesmente não existem! Mas se calhar esta vertente da juventude, a politica, fica para outro dia!
Até para semana… no mesmo sítio… à mesma hora, sempre pelo Pinhão, essa eterna paixão!
 
Luís Manuel Almeida
MsC Ciências Engenharia
IST-UTL Lisboa 2006
publicado por Luís Almeida às 12:00