Para hoje dois temas: vindimas e política.
Estamos na fase das vindimas, a época alta, por excelência na nossa região. Enquanto as encostas vão ficando douradas e o sol no horizonte reclama do rio o nome que lhe pertence por direito nas vinhas vão-se colhendo os cachos que produzirão o néctar reconhecido mundialmente. Há um clima especial, um cheiro diferente, uma visão única muito característica da nossa região. AS quintas estão engalanadas e os lugares são locais de uma festa que entra pela noite após um árduo dia de trabalho.
Aqui… aqui não há muitas máquinas, a mulher colhe e o homem transporta. As tecnologias aparecem apenas no processo final. A uva é pisada pelo Homem numa alegria tremenda. Este é o espírito do Douro, este é o espírito da mais bela região demarcada do mundo, aquela que o Marquês quis distinguir certamente numa visão que ainda não se concretizou plenamente pois muito há e pode ser feito.
Dizia-se no outro dia nos jornais que faltam líderes e da vasta história do Douro é justo homenagear a “Ferreirinha” e faltavam “cérebros” onde se enquadra o Marquês de Pombal. Temos que encontrar agora os líderes e os “cérebros” para os novos tempos, a visão a longo prazo e defesa intransigente da região e das suas gentes. São duas qualidades necessariamente inerentes a quem se aproxime desta pretensão.
Agora, sob pena de perturbar o quadro ideal traçado dou um cheirinho de política. Como já disse várias vezes não sou eu quem define a agenda política local pelo que tenho que seguir as tendências que vão surgindo. E esta semana chegaram à minha atenção dois textos curiosos sobre a política local. Num deles a descredibilização do sistema, em particular, do municipal de Alijó é total e noutro aborda-se a dificuldade de penetração num meio putrefacto de interesses. Leu-se também algures que a câmara municipal reuniu ordinariamente.
Como alguém foi dizendo “que sei eu de política?” mas não querendo entrar por aí gostava de deixar uma nota ou duas. Há quem não saiba que em Portugal existem dois cargos que apenas o povo pode eleger e/ou destituir: o de Presidente da República e o de Presidente da Câmara/Junta. Por aqui se percebe a força que tem, ou devia ter, o poder autárquico. Recentes sondagens, ontem segundo parece, indicam que as figuras políticas que os portugueses mais confiam são o Presidente da República e o de Junta, sendo que no primeiro é indiferente quem o ocupa.
Bom… por aqui se vê quais são as expectativas dos portugueses nesta matéria e que anda por aí muita gente interessada em debater questões políticas confiando na boa fé de muitos dos intervenientes. Até porque, exceptuando os mediáticos casos pontuais, a corrupção e má-fé não esta generalizada como muitos tentam fazer parecer. A figura de autarca local foi criada para que pudesse estar com as populações pelo que seria interessante as populações convierem com essa pessoa para a poder conhecer e tecer os devidos juízos de valor… igualmente será necessária uma disponibilidade ímpar do autarca para poder ouvir os seus eleitores.
Dois assuntos, felizmente, dissociáveis que apenas juntei no mesmo texto porque a actualidade, na minha óptica, assim o exige.
 
Luís Manuel
MsC Ciências Engenharia – Engenharia Civil
IST-UTL Lisboa 2006
 
NOTA PESSOAL: Remonta à tradição americana que a identificação de um indivíduo seja feita utilizando o seu título social (Sr., Engº., Dr.º, Excelência, etc…) seguido do nome e finalmente da graduação académica… em muitos casos do nome da universidade. Portugal tem herdado essa normalização que se torna corrente em várias áreas. Só acrescentar que sou mestrando e não mestrado de ciências de engenharia… por muito ténue que a diferença seja, existe e é conclusiva.
publicado por Luís Almeida às 12:00