Das vezes que José Sócrates tem vindo ao Douro é de esperar que surjam, passados poucos dias, medidas nefastas em contraponto às alegrias que o Prmeiro-Ministro deu. Se, no início do ano, já trocou as auto-estradas em Trás-os-Montes por maternidades, numa subversão chocante do conceito de melhores e mais acessibilidades, desta vez troca Pousadas da Juventude por urgências hospitalares.
 
Que fique claro que estou satisfeito com a concretização da Pousada tantos anos depois… só não consigo aceitar que existam 1 milhão de portugueses que são de segunda classe. A reorganização do sistema de urgências coloca 10% da população a mais de 45 minutos de uma urgência hospitalar. A Régua, uma cidade proeminente e das poucas capazes de crescimento em Portugal perdeu o seu hospital com a fusão em Vila Real e agora perde as urgências que depois da citada fusão eram também passíveis de utilização pelos pinhoenses.
 
Mas mais chocante que a constatação que um governo de cariz socialista distingue os portugueses é o facto do Ministro da Saúde se referir à questão actual da saúde e comentá-la dizendo que é a consequência de “facilitismos”. Se ter direito a um hospital e urgência em tempo útil é facilitismo…!? Ter o direito a tratamento em tempo útil é facilitismo…?! Note-se que a saúde é um direito consagrado pela constituição e pelos direitos humanos… não é algo elitista a que se apliquem taxas moderadoras a belo prazer nem que se manipulem sem ter em atenção as reais necessidades das populações afectadas. E como prova de um certo desrespeito está o anúncio posterior que outros 25 postos de urgência vão abrir. Fecham 14 e abrem 25! A conta é matematicamente favorável ao governo... mas as 14 cidades que ficam sem urgências não devem achar piada. Se abrem 25 porque é que 14 desses não são os que se encerram...
 
Acho também muito curioso que a justificação assente num estudo… ora os estudos dizem o que se quer que digam. Repare-se a questão que esta semana veio a público das suspeitas de que a REFER terá adulterado os dados de um estudo para que a viabilidade de remodelação da Linha do Douro fosse muito curta. Sem desprimor pelos técnicos que elaboram esses estudos… é caricato o que por vezes se encontra escrito neles. Recordo, por exemplo, a tão badalada questão da presença de um individuo na Escola do Pinhão a preparar um estudo sobre a reorganização do parque escolar e que abertamente disse, sem bases cientificas, que a escola não tinha viabilidade. Fê-lo assim que entrou no edificio e mesmo depois de apresentadas as soluções de viabilidade, ignoradas por esse personagem, a opinião claramente desprovida de base ciêntifica ou qualquer outra não se alterou.
 
A questão é: sempre que o Primeiro-Ministro nos visita a oferecer uma mais valia dias depois algo acontece privando-nos de alguns direitos básicos. Note-se que a saúde e a educação são da responsabilidade do estado que apenas tem que garantir que os recursos não são mal usados… mas há governos que pretendem que a saúde e a educação sejam actividadas lucrativas. Não pode ser! Qualquer pessoa percebe isso. Pior do que isso… neste país há claramente duas sociedades: “os cósmicos e cosmopolitas lisboetas” e o resto que no fundo e para muitos é paisagem.
 
Aquilo que temos que perceber rapidamente é que o Norte é industrialmente mais activo, tem uma dinâmica populacional mais favorável e representa um terço da população total. Sem querer entrar em regionalismos, está na altura das coisas serem pelo menos iguais para todos.
Luís Manuel
MsC Ciências Engenharia
IST-UTL Lisboa 2006
publicado por Luís Almeida às 12:00