Fez segunda-feira um ano que ocorreram as eleições que definiram o quadro autárquico até 2009. Bem, a questão do primeiro ano nem se aplica muito ao concelho de Alijó onde muitos dos eleitos foram reconduzidos.

É este um bom mote para falar do sempre tão controverso tema que é a política e que alguns, por essa blogosfera, já insinuaram não ser acessível a todos.

Falemos no que se fez neste primeiro ano. Em particular, no Pinhão, percebeu-se rapidamente que a fulgurante campanha com grandes projectos de bandeira não iria ter repercussões no futuro imediato. Ficam ainda a sombra da ponte, as ameaças da GNR, CP e CTT, esta ultima gerando uma manifestação espontânea e desproporcionada que acabou por não surtir efeito. Mas porque foi um ano de complicada gestão autárquica refira-se o boicote das eleições presidenciais cujas promessas feitas pelo governo civil acabaram por se desvanecer, algo relativamente evidente dado o poder deste organismo na estrutura do nosso país. Não esquecendo a possibilidade (inevitabilidade) do encerramento das escolas. Questões muito sensíveis onde o poder autárquico esteve diminuindo face às imposições centrais. Fez-se o que se pôde e normalmente não se pode muito! Não haja ilusões!!! Mais recentemente comentou-se a questão do centro de dia, também algo que as eleições enfatizaram com a (re)assinatura de um protocolo de cooperação. Só deixo mesmo a nota que a história toda desta questão não é pública e que terá sido nesta matéria a única vitória deste ano. Embora como já tenha dito, apesar de garantido o centro de dia, a sua viabilidade no Pinhão pode não ser muito elevada a curto prazo. Foi um ano em que se caiu na realidade do que é o Pinhão e onde ficou evidente que os grandes projectos não terão viabilidade se os problemas não forem tratados seriamente e a fundo.

Mas faltam 3 anos! Apesar de parecer muito, as intervenções que seriam necessárias levam muito mais do que os 4 anos de um mandato autárquico e a verificar-se uma certa tendência de dois mandatos consecutivos, que no caso do PS já vai em 4, diria que se está a perder uma oportunidade única e importante para intervir de fundo com políticas de combate à desertificação que pudessem de facto atrair investimentos e pessoas ao concelho, em particular ao Pinhão. Ou muito me engano, ou sem tal será muito complicado concretizar ideias, pertinentes mas desprovidas de alguma viabilidade, como são o complexo desportivo e até mesmo o lar de idosos. Pelo contrário tem-se assistido a um esvaziar de serviços e a uma sucessão de apostas falhadas no Pinhão.

O desfio que a autarquia deverá abraçar no imediato é de, pelo menos, impedir o agudizar de uma situação mais grave do que aquela que estamos a viver e lançar as bases de um plano capaz de inverter as tendências negativas do Pinhão, em particular, mas do concelho.

Está a tornar-se tarde demais… e aqueles que possam ter essa predisposição estão a fugir do concelho… é urgente mantê-los e obter um retorno do investimento na sua formação para com essas pessoas encontrar soluções aos problemas de base. Falta uma visão abrangente, dinâmica e estratégica. Que agora não seja possível desenvolvê-la que pelo menos fiquem as sapatas para os próximos construírem o esqueleto…

 

Luís Manuel Almeida

MsC Ciências Engenharia

IST Lisboa 2006

publicado por Luís Almeida às 17:23