Se calhar desprovido de um “timming” certeiro só agora decidi abordar este assunto cuja importância é elevada.
Muito se tem falado de água nos últimos tempos em Alijó. Aliás, este concelho, prepara-se para usufruir de duas barragens nos seus limites físicos: a do Tua e a do Pinhão.
Se a do Tua ainda se encontra envolta em polémica apesar dos estudos já terem começado, a do Pinhão vai crescendo e em breve tornar-se-á uma realidade. Esta barragem no rio Pinhão terá associado um sistema de abastecimento que permitirá resolver eventuais problemas de abastecimento de água que os concelhos fronteiriços tenham. Trata-se de uma obra da Água de Trás-os-Montes e não camarária como foi sendo dito por aí. Mas já que falemos em Câmaras tentemos perceber quais os cenários possíveis para Alijó.
As águas são de facto importantes ao equilíbrio orçamental de uma autarquia, em particular, nas do nosso concelho, já que não existe, pelo menos no Pinhão, uma empresa municipalizada a fazer a gestão da rede. No entanto convém alertar que as tarifas hoje praticadas, mesmo por essas empresas, não cobrem claramente os custos de construção e de exploração desses sistemas. De facto paga-se água a um preço muito baixo e problemas que possam surgir na exploração da rede são sempre constrangedores a qualquer orçamento. A realidade a nível nacional tem mudado e os sistemas têm-se tornado auto-suficientes. Não vejo com maus olhos a criação de uma empresa a nível municipal gestora de toda a rede de Alijó. Isso permitiria atingir níveis de qualidade superiores e uma optimização de um sistema. Não esqueçamos que enquanto Portugal e o Mundo não se virarem definitivamente para o aproveitamento da água dos mares, a escassez de água potável será uma realidade. Neste contexto o sistema de abastecimento de água do Pinhão forneceria a Alijó a água captada.
A construção deste sistema não pressupõe que a Câmara perca os direitos de exploração do abastecimento, simplesmente se pode reorganizar de forma a optimizar a sua rede e evitar situações de falta de água.
Quanto à barragem do Tua, independentemente da sua necessidade e porque Portugal dispõe de poucas barragens, acho grotesco danificar uma das mais belas paisagens da Europa (não sou eu que o digo) submergindo um troço ferroviário de valor incalculável e notável e ainda os prédios de homens e mulheres que naquela região vivem do que cultivam. Mais do que dar dinheiro pelas terras eu percebo que muitos desses proprietários estejam intimamente ligados à terra e que será duro perdê-la. Mas aquilo que mais chateia é que dá a sensação que se tinha que construir a todo o custo uma barragem da região. Não foi em Foz Côa por causa das gravuras e aqui havia soluções interessantíssimas de preservação subaquática. Para meu espanto vi há uns dias um projecto de preservação em tudo semelhante. Não foi no Sabor porque a União Europeia não autoriza e agora é no Tua porque ninguém faz nada. Tenho que saudar as palavras de Artur Cascarejo que referiu que a barragem é positiva mas que as coisas devem ser bem feitas. Gostava de ver um pouco mais de acção e concretização destas ideias… perder aquele património natural é atentatório, no mínimo.
Esta questão das águas está ainda muito verde no concelho e nota-se uma certa falta de informação entre os habitantes, pelo que considero que seria urgente ver o que temos e ver o que podemos fazer para servir melhor as populações. Recordo só a caricata situação do Pinhão em que o sistema de abastecimento é um verdadeiro mistério.
 
Luís Manuel Almeida
MsC Ciências Engenharia
IST-UTL Lisboa 2006
publicado por Luís Almeida às 12:09