continuação do texto da semana anterior

Prometido é devido… e eis que finalmente me disponibilizo para cumprir a minha promessa no final de 2007. Quero, antes de mais esclarecer, que isto são ideias. Nada garante que sejam as correctas ou aquelas que se devem considerar. É talvez um apanhado de ideias de amigos meus com outras minhas e que por vezes, juntos discutimos, e hoje e na próxima semana, trago até vocês.

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Serviços… falta de serviços, aliás!

Vêm ai tempos difíceis. Mas tudo é cíclico. Se uma coisa melhorar, esta vai logo atrás, só temos que saber onde é mais fácil segurar. O Pinhão perderá, muito provavelmente a EB 2,3, é uma questão de datas. O encerramento está previsto na Carta Educativa (para 2009, se não estou enganado). Mas é ano de eleições, vejamos o que acontecerá.

Também na saúde, a coisa não está fantástica. Alijó perde valências apesar de ganhar um novo centro de saúde. Há muito que se discute se o concelho precisará de tantas extensões de saúde. Se calhar não, e se a saúde é uma coisa para interpretar “ao concelho”, ao Pinhão acontecerá na saúde o mesmo que na educação. As freguesias limítrofes de outros concelhos deixarão de cá vir e a extensão de saúde poderá perder viabilidade.

A GNR é uma miragem. Até pode não encerrar e a acontecer, será este mês. Os criminosos até podem ter honra entre si… mas não trabalham das 9h às 17h apenas! Se o Pinhão pretende oferecer alguma coisa… precisará de mostrar que é um sítio seguro e a presença da GNR é nisso fundamental.

O governo indicou que a Linha do Douro acima da Régua não é “interessante”. Quantos meses demorará a chegar essa notícia à administração da CP? Esperemos que muitos! Porque sem Salamanca, tudo acima da Régua perde sentido.

 

Economia

O Pinhão é uma vila economicamente deprimida. Os comerciantes queixam-se por não terem clientes, os hipermercados e centros comerciais de Vila Real e Régua (cada vez mais perto) desferiram um rude golpe. É difícil manter competitividade e lucros e quando assim é… faz-se uma revolução. O Pinhão tem o turismo e o turista do Douro gosta do tradicional e como tal do comércio tradicional. Mas um comércio tradicional moderno, capaz de satisfazer as necessidades do cliente de forma rápida e eficaz.

Quantos dos espaços comerciais do Pinhão estão abertos ao fim-de-semana (para o turista), quantos têm pagamento por Multibanco, quantos se modernizaram nos últimos anos??? Para que o comercio do Pinhão e a sua economia viva do turismo tem que se adoptar novos sistemas e novas práticas. Para começar, não impedir a concorrência (em português, não impedir a feira mensal…). Depois, criar uma associação comercial e transformar toda a António Manuel Saraiva num gigantesco centro comercial ao ar livre (daí o interesse da remodelação desta via, mas mesmo sem ela, se podem fazer milagres). Mas com a associação surgiriam acções concertadas entre todos que visavam atrair o turista e o consumidor de forma mais eficaz.

Além disso, a polarização comercial do Pinhão deveria incidir as freguesias limítrofes. Se na saúde e na educação elas não podem vir cá porque há limites administrativos, para consumir, as pessoas vão onde for mais interessante. E o Pinhão pode ter esse trunfo… o de retomar o centralismo que em tempos permitiu o crescimento desta vila. Pensem nisto!

 

Política

Estamos a chegar às eleições. Agitam-se as mentes e mais tarde ou mais cedo, lá para o fim deste ano, deverão começar a perfilar-se os candidatos para 2009 no Pinhão. Não vou falar disso. Vou só dizer que o Pinhão perdeu uma oportunidade extraordinariamente importante de chegar ao topo. O que quero dizer é que se podíamos olhar de cima para baixo para os restantes, somos hoje obrigados a olhar para cima.

 

Sociedade e… natalidade

O Pinhão terá que juntar à sua volta, numa mesa redonda, todas as freguesias do sul do concelho. Criar desta forma uma força de pressão em Alijó, para que o sul não seja esquecido. Haverá freguesias que não tenham esse interesse porque têm sido bem servidas. Mas isso poderá acabar. Em diversas iniciativas, como agora na festa de Natal da catequese, foram chamadas as freguesias do concelho mais próximas para participar. Vamos talvez convidá-las para outro tipo de actividades. Criar laços, amizades e projectos conjuntos. Podemos defender a nossa terra acima de tudo, mas devemos também dialogar, porque juntos somos mais fortes.

Finalmente, a natalidade. A base de todos os problemas que enunciei e parte da solução é a natalidade. O Pinhão estará, na minha óptica que não é de especialista, num processo de desertificação acelerado. A população caiu vertiginosamente nos últimos 18 anos (cerca de 50% pelo menos). Os novos saem, os velhos ficam. Atacar muitos dos problemas da vila passa por fazer com que haja mais gente. Por um lado a natalidade cria condições para as escolas e jardins-infantis, num horizonte máximo de 6 anos, por outro atrair pessoas de outras localidades traz resultados imediatos.

Em ambos os casos é necessário que o Pinhão tenha motivos de interesse e de atracção. Disse-me há uns dias o Presidente da Junta que o processo é cíclico. Pois eu concordo com ele plenamente. A minha sugestão é simples, comecemos por onde é mais fácil resolver e à medida que avancemos resolveremos os problemas que surjam. Evidentemente que aumentar a população ou intervir socialmente numa localidade, não pode ser uma acto isolado.

 

O meu sincero desejo é que, para 2009 (se é que as nossas esperanças estão ainda nos autarcas que vamos eleger para Junta), coloquemos à frente da freguesia quem apresente o projecto integrado mais viável de todos. Para que o Pinhão se desenvolva, como todos desejamos, é necessário mais do que promessas e actos isolados. É necessário um projecto para o Pinhão que abarque todas as áreas. Venha ele da Junta, ou da sociedade civil. É urgente que surjam essas ideias e se definam essas directrizes com base em pressupostos sólidos e integrados. O Pinhão tem que ter um projecto para se desenvolver e hoje… não tem!

 

Luís Manuel Almeida

 

publicado por Luís Almeida às 23:30