Por mais chato que eu seja, não posso deixar de dar na mesma tecla. Os resultados de um boicote “fora de tempo” e as consequências estão à vista. O encerramento da GNR é apenas a primeira das reivindicações que não vai ser, nem nunca esteve para ser atendida.
Defendem-se os promotores daquele boicote dizendo que lutaram por uma solução para a ponte, numa tentativa de se desmarcarem de outras reivindicações que na altura inundaram a comunicação social. Só isso, demonstra a falta de visão e de sentido táctico de uma acção que não foi mais que política. Por mais grave que o encerramento da ponte fosse, e era, a situação haveria de se resolver mais tarde ou mais cedo. Já as outras reivindicações (aqueles que os promotores quiseram ignorar deitando culpas no povo pela sua inserção nesta manifestação) eram mais preocupantes e graves porque representavam receios de futuro… que se vieram a concretizar…
Continuo a rir-me sempre que vejo o recurso ao Governador Civil de Vila Real, pela população e responsáveis da vila, para resolver os problemas do Pinhão. Parece que só no Pinhão ainda não se percebeu que a figura do Governador Civil não vale absolutamente nada. O mundo evolui e esta figura, outrora importante no acesso ao governo, é hoje um pequeno “tacho” que a administração pública insiste em manter, sem reais poderes para absolutamente nada. A sua única função significativa é a de em noite de eleições dar os resultados a Lisboa (um processo muito mais rápido se cada assembleia eleitoral o fizesse directamente a Lisboa sem passar pelo Governador Civil). Só para ter uma ideia, o responsável pela CCDR (há 5 no país) tem muito mais poder que os governadores civis (são 18) e hierarquicamente. as CCDR nem são comparáveis ao Governo Civil. Além disso, têm dinheiro…
Portanto, o Pinhão tem duas boas soluções: ou continua a recorrer a figuras públicas sem qualquer peso na sociedade e mais boicotes fora de tempo; ou assume de uma vez por todas que chegou o tempo da mudança. Os problemas que hoje o Pinhão tem não são de agora, nem deste Presidente de Junta. Começaram no último mandato do PSD e não foram resolvidos pelos mandatos seguintes do PS. A falta de visão, durante anos consecutivos, tolheu o desenvolvimento… e continua a tolher. A máxima preocupação é a de colocar caixotes do lixo e bancos de jardim, sinalizar as ruas, encerrar escolas e compor tampas de saneamento. Quando o Pinhão precisava de se impor turística e comercialmente na região.
Chegou a hora de mudar… chegou a hora dos pinhoenses combaterem os interesses políticos de Alijó que só têm prejudicado a vila. E este prejuízo vem desde o dia em que foi impedido de avançar a pessoa que hoje dá, todos os dias, bofetadas de luva branca a esta terra, mostrando que tinha tudo para tornar o Pinhão aquilo que sempre deveria ter sido: o verdadeiro centro do Douro.
Está na hora de pôr as coisas como deve de ser… porque já é tarde demais. Hoje, a GNR, em 2009 a Escola, os CTT ainda este ano, a CP em breve, o Centro de Saúde já faltou mais…
 
Luís Manuel M. A.
Msc Engenharia Civil
IST-UTL Lisboa 2002-2007
publicado por Luís Almeida às 14:06