Continua uma grande confusão no respeitante a acessibilidades ao Douro e ao concelho de Alijó. E parece que já nem a oposição consegue trazer bom sendo ao debate.
Nos últimos quinze dias reavivou-se a questão do aérodromo da Chã e saíram noticias que dão conta do “desentusiasmo” relativamente à linha do Douro.
Artur Cascarejo, referiu-se no Pinhão a esta matéria quando apadrinhou os 75 anos da vila e indicou que o aérodromo da Chã vai ser uma realidade. A partir daí foi a comunicação social a dar relevância a um assunto que parecia esquecido e que a oposição social-democrata acusa de ter sido estrategicamente reavivado.
Pessoalmente, e creio que a centenas de outros interessados no bem-estar do concelho, não me interessa como vai ser feito. Se em 2010, se em 2033, se com possibilidade para aterrarem naves espaciais ou helicópteros dos “novos senhores” do Douro.
Interessa-me analisar prioridades e perceber as soluções mais eficazes de entrada no concelho e claramente que para quem tenha bom senso não passam pelo aérodromo da Chã.
Analisemos portanto: existe actualmente um aérodromo na capital de distrito com ligações aéreas regulares a Lisboa e Bragança. Este aérodromo será ampliado por forma a permitir a aterragem de aeronaves de maior dimensão. Questionemo-nos sobre quais as razões que ainda não motivaram ou justificaram esse alargamento, mas talvez sejam óbvias. Já para não falar que financeiramente esta linha aérea beneficia da grande vantagem de ser o estado a pagar uma comparticipação “social”. Como a Chã não tem intermodalidade e não chega o “quase” nestas coisas de transportes, as carreiras regulares não seriam hipótese. Resta o mercado privado. Mas “cruzes credo” pensar que em Portugal será uma entidade pública a pagar “forte e feio” para uma estrutura que será usufruída exclusivamente por companhias privadas, muitas relacionadas com o turismo e que pouco devolvem à região onde facturam.
Além da componente social, estrategicamente é uma péssima opção. Já referi a falta de intermodalidade. É preciso perceber também que em matéria de transportes há outras prioridades. A grande maioria das estradas do concelho continua em péssimo estado e as que não estão já justificavam o estudo de variantes que permitissem ganhar tempo nas viagens “internas”. Continua sem haver uma eficiente rede de transportes concelhia. Basicamente quem não tenha carro (e posteriormente capacidade de encaixe para suportar as despesas que os traçados e mau estado agravam nos veículos) não se movimenta. E depois estranha-se que haja eventos por todo o concelho e que apenas participem os locais.
Mas mais estranho que toda esta magalomania é o facto do PSD recentemente se ter declarado a favor deste empreendimento e não tenha introduzido as verdadeiras questões de fundo na discussão. Há muito que o PSD está mais interessado em atacar pessoalmente os vereadores e presidente em exercício do que em discutir os problemas verdadeiramente. Talvez um pouco reflexo da crise nacional que só agora parece ter alguma contenção com a Manuela Ferreira Leite. Não creio que seja relevante que engenharias financeiras Artur Cascarejo engendrará para viabilizar o aeródromo, creio que era mais pertinente discutir em fundo toda esta opção pelo transporte aéreo quando existem outras batalhas que podem ser ganhas.
Já é velha a minha predilecção pela reabertura da linha do Douro. Mas não se trata de um fetiche. Trata-se da solução mais barata, mais eficiente e que mais retorno turístico poderia dar à região. Pergunto que empenho podemos esperar de um executivo que pretende compensações financeiras em troca da linha do Tua. Mas choco-me ainda mais quando vejo que a seriedade e bom senso que têm pautado o discurso social-democrata no concelho de Alijó é manchada por um comunicado que desce ao ponto de referir “naves espaciais” como contra-argumento.
Centremo-nos no essencial, esqueçamos o acessório. Centremo-nos primeiro na opção e depois na forma de a concretizar. Houvesse tanto empenho pela Linha do Douro e hoje já tínhamos um comboio a 4 horas de Madrid (menos duas do que demoramos até Lisboa). E como defensor da democracia enquanto o melhor modelo politico que conhecemos, espero sinceramente que de futuro as intervenções politicas se pautem pela seriedade e bom senso e não pelos ataques pessoais de parte a parte, não é isso que define tanto o PS como o PSD. É ano de eleições, mas não vale tudo…
publicado por Luís Almeida às 09:34