Acabo de ouvir Correia de Campos na televisão pela enésima vez este mês… vezes demais quando o assunto e as explicações são sempre as mesmas.

Mostrava-se o Senhor Ministro aborrecido por Portugal inteiro estar numa gigantesca “conspiração organizada” contra o Serviço Nacional de Saúde. Subitamente somos todos suspeitos de atentar contra o SNS e o INEM e estarmos a criar uma imagem negativa desses serviços. Pede-nos encarecidamente, o Sr. Ministro, que falemos bem do SNS. Pois bem, não tenho absolutamente razão de queixa nenhuma do SNS e considero-o um dos melhores serviços estatais no nosso país… até que começou esta reforma.

Sou, por princípio, apologista das “limpezas de balneário” quando se justifica e com isso se ganha mais do que se perder. No caso da saúde nem se pode sequer equacionar a perda. O governo actual equacionou… os resultados estão à vista. Mas dizia que a reforma até podia ser necessária, mas seria certamente no sentido de dotar todo o País, em particular o interior, das condições adequadas de prestação de cuidados médicos. E quando digo adequadas, digo igual a Lisboa, pelo menos.

Em Alijó não era o encerramento, mas a requalificação do centro da saúde (que até está a ser feita) quer no seu edifício, obsoleto, como nas suas valências. Neste país, ainda há quem não tenha luz e água canalizada. E há quem esteja a mais de uma hora de Vila Real, ou outro hospital central. Em Alijó abundam esses casos. Depois é a velha história de filtragem de doentes “menos doentes”.

Muito sinceramente, uma qualquer indisposição, em qualquer um de nós, apoquenta-nos seriamente. Não vamos ao hospital ou à urgência pelo gosto de esperar ou de entupir o serviço. Vai-se para garantir que está mesmo tudo bem. E nisso os SAP’s e outros serviços básicos faziam um excelente serviço. E os médicos que passam a noite no SAP, no outro dia pela manhã, estavam a dar consultas de medicina familiar. Não estavam de folga como diz o Sr. Ministro.

Pediu o Sr. Ministro para falar pela positiva. Eu falo, digo que Alijó, com as anteriores valências e com o novo centro de saúde, era um excelente exemplo de qualidade no SNS. Estou certo que antes da vaga de encerramentos e das ambulâncias fantasma do INEM, que antes dos helicópteros, muita mais gente falava bem do SNS. E falaria melhor se a reforma fosse no sentido de melhorar os serviços e não de os retirar, só porque é caro. Em nenhum país civilizado se corta na saúde porque dá prejuízo… nem no terceiro mundo.

Pediu o Sr. Ministro coerência nos critérios editoriais da comunicação social. Pediu que se trouxessem os bons exemplos. Mas num país, onde diariamente surge pelo menos um maus exemplos da área de saúde, acho que os directores de informação não seguem determinado critério por opção… mas sim pela evidência de que algo está mesmo errado.

Castedo foi apenas mais um exemplo, mais um sintoma de que algo corre mal. Se fosse caso isolado, o Sr. Ministro teria toda a razão em falar de critérios editoriais e de utilização destes assuntos para outros fins. Mas infelizmente, a cada dia, surge um caso novo. Ou de falta de coordenação, ou de negligência, ou de atraso na prestação de cuidado, ou de nascimento na auto estrada. O Sr. Ministro tem-se sempre defendido. No caso do Castedo dizia que o senhor estava já morto na altura da chamada, no caso da bebé dizia que tinha antecedentes que não perspectivavam outro desfecho.

Mas será que todos os casos já estavam condenados?! Vamos lá admitir erros e corrigir antes que tenhamos que lamentar mais casos destes…

 

Luís Manuel MA

publicado por Luís Almeida às 23:38